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Antigamente diziam que os nobres tinham
sangue azul a correr pelas veias, o que lhes diferenciaria dos meros
plebeus. Mas e as cidades, existiriam cidades nobres? Pois se elas
existissem, esta seria uma delas: Reims. Através
dos séculos, ela foi o único e verdadeiro local de sagração de todos
os reis da França. Pouquíssimas outras cidades do mundo já tiveram
semelhante status. Hoje em dia a França não tem mais reis, e ninguém
ainda acredita naquela história de sangue azul. Em compensação, há
outro líquido jorrando com fartura em Reims, não azul, mas sim
prateado, e que não pode faltar em nenhuma comemoração que se preze:
O Champagne. Em todo o mundo só aqui o verdadeiro é produzido, e sem
dúvida ele continua a fazer desta uma cidade única!
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A foto ao lado é da prefeitura da cidade, que
embora não seja atração turística, nunca deixa de passar
despercebida, tal a beleza de sua arquitetura do início do século
17. Os principais pontos turísticos da cidade são o Musée Saint-Remi,
Basilique e Palais du Tau. Este último foi construído
em 1690, todo em pedras, e servia como residência dos bispos da
cidade, que na época tinham mais poder e influência que muitos
políticos. Está localizado ao lado da catedral, e entre as relíquias
que nele podem ser apreciadas estão um cálice do século 12, utilizado para
comunhão dos reis da França, e um crucifixo usado por
Carlos Magno. |
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Outro ponto que não pode faltar em sua visita à
cidade é o Musée des Beaux-Arts. Localizado em um prédio do
século 18, lá estão mais de uma dúzia de pinturas de príncipes
Alemães, além de obras religiosas dos séculos 15 e 16, representando
a Paixão de Cristo. Depois vá até a Salle de Reddition (Sala
da rendição), que ficou famosa com esse nome por ter sido o local
onde, no dia 7 de maio de 1945 o exército alemão assinou sua
rendição incondicional às tropas aliadas lideradas pelo general
Eisenhower, marcando o fim da segunda guerra mundial. Até aquela
data, a Salle de Reddition funcionava como escola, mas
daquele dia em diante ela nunca mais foi modificada e exibe
até hoje em suas paredes os mesmo mapas estratégicos e rotas que
eram utilizados pelas tropas aliadas naquele dia em que a guerra
terminou.
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Como se sabe, o nome da região da França onde
Reims está situada é Champagne, assim, nada mais natural que aquela
famosa bebida que começou a ser aqui fabricada ganhasse o nome desta
parte do país. Com o sucesso da bebida, todo mundo começou a querer
fabricar Champagne, o que levou à criação de medidas
legais para evitar a utilização indevida deste nome. Atualmente qualquer lugar
do mundo pode produzir Espumante, mas para
que este produto possa receber o rótulo Champagne,
ele tem necessariamente de ser produzido na região de Champagne,
França. Na foto ao lado a fachada da Cave onde é produzido um
dos melhores Champagnes, o Marie Stuart. |
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O Champagne nada mais é que um vinho espumante,
mas são justamente aquelas bolhinhas, e o gás que se forma na
garrafa, através de um processo tão antigo quanto rigoroso, que
fazem toda a diferença do mundo, e lhe dão um sabor especial. Desde
os tempos do império romano, quando a França ainda era conhecida
como Galia, Reims já se destacava como local de fabricação de
alguns dos melhores vinhos da Europa, o que foi aperfeiçoado ao
longo do tempo, e acabaria dando origem ao internacionalmente
conhecido Champagne. Lojas como a da foto ao lado, especializadas na
Vente de Champagne, podem ser encontradas em diversos
pontos da cidade, vendendo desde marcas comuns (para os franceses,
bien sur), até às mais refinadas. |
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Perguntar a um francês o que ele recomenda em
termos de pratos, acompanhamentos e vinhos é puxar assunto para três horas
de papo, pois esse é seu assunto preferido.
Mas em resumo, deu pra ver que, entre aqueles tira-gostos e doces
típicos que a gente não pode deixar de experimentar são sempre
lembrados o Pain d'épices (pão com temperos especiais da
região), de preferência acompanhado da famosa Moutarde au vin de
Champagne (forte mostarda elaborada com champagne), e entre os
doces o Biscuit Rose, Croquignolles (biscoitinhos
doces preparados com licor) e o Bouchons de Champagne
(preparados com chocolate). Todos deliciosos.
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Deixando o Champagne de lado, e continuando o
passeio pela cidade, chegamos à Basilique St-Rémi,
cuja construção data de 1007. Seu nome homenageia o santo guardião
dos reis franceses. Hoje em dia a abadia exerce a função de museu,
e nela está em exposição um extensa variedade de itens relacionados à
história da cidade, tanto nos aspectos religiosos, como históricos,
arqueológicos e militares. Outro ponto muito visitado na cidade é o
Ancien Couvent des Cordeliers, onde podem ser vistos os
resquícios desta abadia construída no século 15. Também interessante é
Porte Mars, como são conhecidas as ruínas da imensa
porta que guardava a entrada norte da cidade, ainda durante o
período romano, século 2. |
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A foto ao lado foi batida junto ao monumento que
adorna o centro da cidade, no início da principal rua de comércio,
exclusiva de pedestres. Por aqui você vai encontrar, além de
butiques e grandes lojas de departamentos, dezenas de simpáticos
restaurantes e bares. Reims é uma cidade pequena, assim tudo que ela
tem para ser visto pode ser facilmente alcançado a pé, sem
necessidade de se caminhar muito. A parte histórica da cidade fica
compreendida dentro do quadrilátero formado pela Rue de
Venise, ao sul; a área verde junto ao Boulevard Lecrerc,
ao norte; o canal de L'Aisne a oeste e o Boulevard de La
Paix, a leste, o que forma uma área de menos de dois quilômetros
quadrados. |
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Nós chegamos à cidade pela autoroute A4, e ao
perguntar à moça do pedágio qual saída deveríamos pegar para ir
direto à catedral sua resposta foi: Peguem a direção do centro de
Rás. Depois de alguns instantes de hesitação, percebemos que
ela estava se referindo ao próprio nome da cidade. E logo depois
percebemos também que muitos franceses pronunciam Reims como
Rás. Seria resultado da influência Alemã na cultura deste
lado do país?
Depois de Clovis, todos os reis Francos passariam a ser
coroados Reims. Isto deu à cidade o título de santa e sagrada.
França e Inglaterra travaram duas guerras que ficaram conhecidas como
Guerra dos Cem Anos, e Reims sempre esteve no centro dos conflitos. A
primeira Guerra dos Cem anos foi entre 1159 e 1259.
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Outros endereços turísticos da cidade incluem a
Fontaine des Boucheries, fonte cuja construção data de
1770, a mansão em estilo gótico da Rue de Tambou 22, construída no
final do século 14, e onde ainda se pode ler Hôtel des Comtes de
Champagne, e o prédio do Cirque, magnífica construção de
1865, em formato circular, edificada pelo arquiteto Narcisse
Brunette. Reims também tem fama como cidade de
eventos, e entre os mais lembrados estão a Flâneries
Musicales d’été, quando costumam ser organizados, sempre no
verão, mais de cem apresentações musicais, desde o clássico, ao pop e
rock, passando pelo jazz e folclore local. Também o Festival
Joana D'arc é famoso por contar com mais de dois mil atores
encenando a histórica procissão realizada pela santa guerreira até a
Catedral da cidade, para a coroação de Carlos VII, em julho
de 1429. |
E também não pode se deixar de incluir uma visita
às caves onde o Champagne é produzido. Existem diversas, por exemplo: Champagne Maxim's (Rue des
Créneaux 17), Champagne Veuve Clicquot Ponsardin
(Place
des Droits de l'Homme),
Champagne Lanson
(Rue
de Courlancy 66) e Champagne G.H. Mumm & Cie (Rue du
Champ de Mars 34). Só não cometa a heresia de chegar lá com uma
latinha de Cola Cola na mão ;-)
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Mas há outra coisa que fez Reims famosa, além do
Champagne. Como se sabe, nesta cidade eram sagrados todos os reis
da França, mas um evento deste porte não poderia acontecer em qualquer
lugar. Era necessária a construção de uma catedral monumental.
E em maio de 1211 o arcebispo Aubrey de Humbert lançou a
pedra inaugural do que viria a ser uma das mais famosas catedrais
góticas da história. Foram necessário 70 anos para concluir a fachada
principal e a maior parte do interior da catedral. No entanto, guerras
como a dos Cem Anos, contra a Inglaterra, a Grande Peste
Européia de 1348 trouxeram grandes atrasos ao projeto, que
somente seria concluído 300 anos mais tarde! Em resumo, Reims é uma visita memorável. Quem
estiver percorrendo a auto estrada A4, a leste de Paris, certamente
vai passar bem por aqui, e não deve desperdiçar a oportunidade de
sair da estrada, estacionar em qualquer lugar da cidade e aproveitar
para conhecê-la mais de perto, pois certamente será um visita
inesquecível.
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Veja um vídeo que colocamos no
Youtube, ao chegar nesta catedral. Clique em
Catedral de Reims.
A música dessa página é
La Cathedrale.

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