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La Manche para os franceses, ou English Channel
para os ingleses. Dois nomes diferentes para o mesmo lugar, conforme
o lado em que se está. De certa forma isto representa bem o significado
deste canal que separa os dois países, e ilustra de forma divertida
a eterna e notória rivalidade entre ingleses e franceses. No Brasil,
esta faixa de água ligando o Oceano Atlântico ao Mar do Norte é
conhecida como Canal da Mancha, e se você vai viajar entre França
e Inglaterra, as chances são de 100% que você tenha que passar por
este canal, seja por cima ou por baixo.
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Quando nos aproximamos do litoral inglês, os
famosos rochedos brancos de Dover são a primeira visão que se tem da
ilha. De longe são confundidos por muitos com imensas dunas de
areia. O trecho mais curto do canal, entre Dover e Calais, tem 30 km
de largura. Historicamente, foi o Canal da Mancha que salvou a
Inglaterra de ser invadida em mais de uma ocasião, tanto pelas
tropas de Napoleão, como pelos nazistas.
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O Canal sempre foi a primeira barreira de proteção do
país em relação ao resto do continente Europeu, e por isso, a construção
de uma ponte ou túnel ligando a Inglaterra ao resto do continente, um
projeto sonhado por muitos, era vista por outros com desconfiança e
receio. Estas dúvidas fizeram com que esta idéia fosse empurrada com a
barriga durante muito tempo sem conseguir chegar a um consenso.
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Batemos esta foto em Dover, logo após embarcar
num dos Ferries da companhia P&O com destino a Calais. Como
você pode ver estes navios são enormes, e levam desde passageiros
até automóveis, ônibus e enormes jamantas de carga. O melhor lugar
para estar no momento em que o ferrie zarpa é no convés superior,
de onde se pode ver os outros navios ancorados ao lado, aguardando
a hora de partir, os veículos entrando nas garagens do navio e os
preparativos das equipes de terra, como se fossem um bando de formigas
histéricas em volta de uma minhoca. Dover e Calais tem um movimento
frenético de ferries de passageiros e carga, 24 horas por dia.
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A primeira linha regular de ferries entre Dover
e Calais começou a operar em 1931. Depois que o navio se afasta
do porto e a travessia do Canal da Mancha começa, seja com destino
à Inglaterra ou à França, o cenário é muito semelhante: Água por
todos os lados e a companhia de diversos outros ferries cruzando
o canal em todas as direções.
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A menor distância entre Inglaterra e França é justamente no trecho
do canal situado entre as cidades de Dover e Calais, por isso o
movimento neste trecho da Mancha é tão grande que a toda hora os
navios cruzam um com outro. A travessia entre Dover e Calais dura
apenas 90 minutos mas é tão agradável e os navios tem tantas atrações,
restaurantes e shoppings que dá até pena quando acaba.
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Batemos esta foto num dos porões do ferry, logo
após estacionar nosso carro, e antes de subirmos para o convés de
passageiros. Dá para ver ao lado um ônibus de turismo estacionado. A
maior parte dos navios tem três porões iguais a este, um em cima do
outro, e embora em épocas de férias, fins de semana e outras
ocasiões de movimento eles fiquem totalmente lotados de veículos,
neste dia estavam quase vazios.
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A lotação dos ferries, bem como o preço da passagem
varia muito em função da hora. Depende do tipo de veículo e número de
pessoas. É mais barato atravessar durante a noite, e mais caro entre 10 e
16 horas, quando ocorre o pique de movimento. Bilhetes de ida e volta tem
desconto. Passageiros viajando sem veículos pagam muito mais barato. Nos
horários de pique há uma saída a cada 40 minutos.
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As duas companhias que há muito anos vem explorando
a travessia do canal são P&O e Stena. Após a inauguração do
túnel ferroviário sob o canal (foto ao lado), muitas pessoas passaram a cruzar
a Mancha de trem, o que representou não apenas uma revolução na
mentalidade do turismo e comércio entre ingleses e franceses, mas
também um verdadeiro furação econômico para as companhias de transporte
entre os dois países. Para poderem enfrentar o trem subterrâneo
Eurostar e não irem à falência, as companhias marítimas P&O
e Stena tiveram que se unir numa só.
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Esta foto foi batida em outra viagem, saindo de
Calais com destino à Inglaterra. Como dá para ver, o céu neste dia
não estava muito azul... Aliás, o tempo ruim é uma das
características desta região. O Canal da Mancha é famoso por suas
tempestades, pela freqüente neblina e pouca visibilidade.
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Até mesmo a invasão da Normandia pelas tropas aliadas,
realizada pelo Canal da Mancha no famoso Dia D, precisou ser adiada 24
horas devido a uma terrível tempestade. No entanto, embora já tenhamos
feito esta travessia diversas vezes, nunca pegamos mau tempo, e o máximo
de aventura que tivemos a bordo foi sentir o navio jogando de um lado para
outro a ponto de precisarmos andar com todo cuidado para não derrubar a
bandeja do almoço...
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As primeiras travessias no Canal da Mancha eram
uma temeridade. Os portos eram rasos, pequenos e sem proteção contra
tempestades. Os navios precisavam esperar as marés altas para
aportar. Em 1850 quase todos os navios eram a vela, e com poucos
recursos de segurança. Os passageiros do Canal da Mancha faziam
travessias demoradas, perigosas e sujeitas a muito enjôo. Em meados
do século 19, as cidades francesas de Boulogne e Calais
começaram uma competição entre si para ver qual seria a mais bem
sucedida no estabelecimento de uma rota marítima com a Inglaterra.
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O interesse se justificava pelo desenvolvimento e
lucros que o movimento trazia às cidades. Boulogne saiu na frente, mas
Calais depois levou a melhor. Na Inglaterra era a mesma coisa, com
Folkstone e Dover competindo entre si.
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Os ferries que fazem travessias mais longas, para
cidades da Espanha, Irlanda ou países nórdicos, oferecem opções
mais confortáveis para hospedagem. Algumas destas travessias são
bem longas, duram a noite inteira, e neste caso os passageiros podem
escolher passar a noite em poltronas reclináveis, cabines standard
e cabines de luxo. Nos decks superiores há bar, lanchonete, restaurante
tipo bandejão e restaurantes à la carte. Esta foto foi batida numa
cabine de luxo, entre as cidades de Portsmouth e Saint Malo. Elas
dispõem de banheiro completo, duas camas, uma pequena sala de estar,
frigobar e televisão por satélite. O café da manhã é servido no
próprio quarto, 30 minutos antes da chegada ao destino.
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A arrumação dos veículos no interior das garagens
dos ferries é meticulosamente orientada pelas equipes dos navios,
e executada com a precisão de uma operação militar. Em dias de muito
movimento nenhum espaço pode ser desperdiçado, por isso é necessário
seguir rigorosamente o que os flanelinhas marítimos mandam
fazer e estacionar o carro exatamente no local indicado. Durante a
travessia do Canal da Mancha é proibido permanecer dentro dos
veículos. No entanto, se você tiver a sorte de pegar um dia bonito,
pode estar certo que irá desfrutar de visuais inesquecíveis do
tombadilho superior. |
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Clique sobre esta foto para vê-la em alta definição. |
Em 1994 foi inaugurada a linha de trens Eurostar,
ligando Londres e Paris a 300 km/hora através do túnel construído
sob o Canal da Mancha. Batemos esta foto na entrada de um dos vagões
de passageiros do Eurostar. Mais e mais pessoas tem usado
esta alternativa para viajar entre as duas cidades. A viagem dura
pouco mais de duas horas,
ligando a Gare du Nord, Paris à Saint Pancras Station,
Londres. Durante os horário de pique as saídas acontecem
a cada 40 minutos. A passagem não é muito barata, mas em compensação
ganha-se tempo, conforto e a conveniência de em poucas horas passar
de uma cidade à outra sem precisar ir até o litoral, nem pegar navios
ou aviões.
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Veja alguns vídeos que colocamos no
Youtube clicando em
Eurostar partindo de Paris e
Eurostar partido de Paris (feita em outro ano). E também o Eurostar
percorrendo o interior da
França a 300 km/hora. E
Eurostar entrando no Tunel.
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O ano de 1785 marcou a primeira travessia do
canal por balão. Em 1875 ocorreu a primeira travessia a nado das
turbulentas e geladas águas da Mancha. 1909 viu o primeiro avião
sobrevoar o Canal. E em 20 de Janeiro de 1986 Margaret Thatcher e
François Mitterand assinaram o tratado decidindo a construção do
túnel inaugurado em 1994. O custo da construção foi de 9 bilhões de
libras esterlinas. De barreira intransponível, isolando a Inglaterra
do resto do continente europeu a mais um atrativo turístico, o Canal
da Mancha percorreu um longo caminho, mas sempre mantendo seu charme
e fama inalterados. Se você um dia estiver viajando entre Londres e
Paris considere a travessia do Canal da Mancha pelo túnel. A viagem
é tão suave que nem dá para lembrar que estamos passando pelo fundo
do mar.
Veja ainda o vídeo
Eurostar chegando em Londres. |
Clique sobre esta foto para vê-la em alta definição |
A música desta página é do filme A Pequena
Sereia,
de Disney Under the Sea (sob o mar).

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