Canal da Mancha

Nesta página estão 12 fotos batidas no Canal da Mancha. Colocando o mouse sobre as fotos você verá um texto adicional.

 

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 A menor distância entre Inglaterra e França é entre as cidades de Dover e Calais, por isso a maior parte do trânsito entre os dois países acontece por esta parte mais estreita do canal.

La Manche para os franceses, ou English Channel para os ingleses. Dois nomes diferentes para o mesmo lugar, conforme o lado em que se está. De certa forma isto representa bem o significado deste canal que separa os dois países, e ilustra de forma divertida a eterna e notória rivalidade entre ingleses e franceses. No Brasil, esta faixa de água ligando o Oceano Atlântico ao Mar do Norte é conhecida como Canal da Mancha, e se você vai viajar entre França e Inglaterra, as chances são de 100% que você tenha que passar por este canal, seja por cima ou por baixo.

Quando nos aproximamos do litoral inglês, os famosos rochedos brancos de Dover são a primeira visão que se tem da ilha. De longe são confundidos por muitos com imensas dunas de areia. O trecho mais curto do canal, entre Dover e Calais, tem 30 km de largura. Historicamente, foi o Canal da Mancha que salvou a Inglaterra de ser invadida em mais de uma ocasião, tanto pelas tropas de Napoleão, como pelos nazistas.

O isolamento geográfico tem permitido à Inglaterra conservar com mais facilidade costumes e hábitos seculares. Pergunte à um inglês o que ele acha de morar numa ilha e provavelmente ele dirá: Graças à Deus, isso mantém aqueles franceses um pouco mais longe....

O Canal sempre foi a primeira barreira de proteção do país em relação ao resto do continente Europeu, e por isso, a construção de uma ponte ou túnel ligando a Inglaterra ao resto do continente, um projeto sonhado por muitos, era vista por outros com desconfiança e receio. Estas dúvidas fizeram com que esta idéia fosse empurrada com a barriga durante muito tempo sem conseguir chegar a um consenso. 

 

O nome "Ferrie" é dado aos navios que transportam veículos de rodas de um ponto à outro na travessia de um curso de água. Como a Inglaterra é uma ilha, o movimento de ferries é incessante em muitas cidades costeiras.

Batemos esta foto em Dover, logo após embarcar num dos Ferries da companhia P&O com destino a Calais. Como você pode ver estes navios são enormes, e levam desde passageiros até automóveis, ônibus e enormes jamantas de carga. O melhor lugar para estar no momento em que o ferrie zarpa é no convés superior, de onde se pode ver os outros navios ancorados ao lado, aguardando a hora de partir, os veículos entrando nas garagens do navio e os preparativos das equipes de terra, como se fossem um bando de formigas histéricas em volta de uma minhoca. Dover e Calais tem um movimento frenético de ferries de passageiros e carga, 24 horas por dia. 

 

A primeira linha regular de ferries entre Dover e Calais começou a operar em 1931. Depois que o navio se afasta do porto e a travessia do Canal da Mancha começa, seja com destino à Inglaterra ou à França, o cenário é muito semelhante: Água por todos os lados e a companhia de diversos outros ferries cruzando o canal em todas as direções.

 O tipo de terreno existente nos dois lados do Canal da Mancha, tanto na França como na Inglaterra, indicam que antigamente os dois países eram unidos por terra. Com as mudanças geológicas ocorridas no planeta, e o fim da idade do gelo, há 18 mil anos, o nível dos mares subiu, e formou-se o Canal da Mancha.

A menor distância entre Inglaterra e França é justamente no trecho do canal situado entre as cidades de Dover e Calais, por isso o movimento neste trecho da Mancha é tão grande que a toda hora os navios cruzam um com outro. A travessia entre Dover e Calais dura apenas 90 minutos mas é tão agradável e os navios tem tantas atrações, restaurantes e shoppings que dá até pena quando acaba. 

 

As primeiras locomotivas a vapor surgiram por volta de 1820. Em 1850 elas já faziam trajetos regulares entre Paris e Calais, assim como entre Londres e Dover. Era moda entre os ricos da Inglaterra passear em Paris. O problema era a travessia do canal, um verdadeiro pesadelo para a maioria dos passageiros.

Batemos esta foto num dos porões do ferry, logo após estacionar nosso carro, e antes de subirmos para o convés de passageiros. Dá para ver ao lado um ônibus de turismo estacionado. A maior parte dos navios tem três porões iguais a este, um em cima do outro, e embora em épocas de férias, fins de semana e outras ocasiões de movimento eles fiquem totalmente lotados de veículos, neste dia estavam quase vazios.

A lotação dos ferries, bem como o preço da passagem varia muito em função da hora. Depende do tipo de veículo e número de pessoas. É mais barato atravessar durante a noite, e mais caro entre 10 e 16 horas, quando ocorre o pique de movimento. Bilhetes de ida e volta tem desconto. Passageiros viajando sem veículos pagam muito mais barato. Nos horários de pique há uma saída a cada 40 minutos. 

 

As duas companhias que há muito anos vem explorando a travessia do canal são P&O e Stena. Após a inauguração do túnel ferroviário sob o canal (foto ao lado), muitas pessoas passaram a cruzar a Mancha de trem, o que representou não apenas uma revolução na mentalidade do turismo e comércio entre ingleses e franceses, mas também um verdadeiro furação econômico para as companhias de transporte entre os dois países. Para poderem enfrentar o trem subterrâneo Eurostar e não irem à falência, as companhias marítimas P&O e Stena tiveram que se unir numa só. 

Quando se pensava em fazer um túnel sob o canal, sempre surgiam três grandes problemas: A geologia do terreno do fundo do mar era desconhecida. A ventilação do interior do túnel era impossível com fumacentos trens à vapor, e a segurança do país ficaria comprometida com a abertura de uma passagem que poderia servir à uma invasão inimiga.

 

Em 1881 firmas de engenharia da França e Inglaterra começaram a abrir um túnel entre Dover e Calais. Os trabalhos foram um sucesso e após um ano de obras, 2 km de túnel já haviam sido perfurados no fundo do mar. A idéia era utilizar trens movidos à ar comprimido, o que eliminava o problema da fumaça no interior do túnel.

Esta foto foi batida em outra viagem, saindo de Calais com destino à Inglaterra. Como dá para ver, o céu neste dia não estava muito azul... Aliás, o tempo ruim é uma das características desta região. O Canal da Mancha é famoso por suas tempestades, pela freqüente neblina e pouca visibilidade.

Até mesmo a invasão da Normandia pelas tropas aliadas, realizada pelo Canal da Mancha no famoso Dia D, precisou ser adiada 24 horas devido a uma terrível tempestade. No entanto, embora já tenhamos feito esta travessia diversas vezes, nunca pegamos mau tempo, e o máximo de aventura que tivemos a bordo foi sentir o navio jogando de um lado para outro a ponto de precisarmos andar com todo cuidado para não derrubar a bandeja do almoço... 

 

As primeiras travessias no Canal da Mancha eram uma temeridade. Os portos eram rasos, pequenos e sem proteção contra tempestades. Os navios precisavam esperar as marés altas para aportar. Em 1850 quase todos os navios eram a vela, e com poucos recursos de segurança. Os passageiros do Canal da Mancha faziam travessias demoradas, perigosas e sujeitas a muito enjôo. Em meados do século 19, as cidades francesas de Boulogne e Calais começaram uma competição entre si para ver qual seria a mais bem sucedida no estabelecimento de uma rota marítima com a Inglaterra.

O medo de uma invasão cancelou a construção do túnel iniciada em 1881. Os construtores até previram a instalação de comportas para inundar o túnel em caso de invasão. Um soldado ficaria sempre de guarda, pronto para puxar a alavanca de inundar o túnel. Mas o receio de uma invasão francesa era muito grande e o projeto acabou sendo cancelado.

O interesse se justificava pelo desenvolvimento e lucros que o movimento trazia às cidades. Boulogne saiu na frente, mas Calais depois levou a melhor. Na Inglaterra era a mesma coisa, com Folkstone e Dover competindo entre si.

 

Os ingleses temiam uma invasão francesa, e os franceses achavam que os ingleses eram teimosos que insistiam em continuar isolados do resto do mundo. Em 1973 a idéia da construção do túnel foi retomada, mas voltou a ser abandonada dois anos depois, graças aos custos monumentais do projeto.

Os ferries que fazem travessias mais longas, para cidades da Espanha, Irlanda ou países nórdicos, oferecem opções mais confortáveis para hospedagem. Algumas destas travessias são bem longas, duram a noite inteira, e neste caso os passageiros podem escolher passar a noite em poltronas reclináveis, cabines standard e cabines de luxo. Nos decks superiores há bar, lanchonete, restaurante tipo bandejão e restaurantes à la carte. Esta foto foi batida numa cabine de luxo, entre as cidades de Portsmouth e Saint Malo. Elas dispõem de banheiro completo, duas camas, uma pequena sala de estar, frigobar e televisão por satélite. O café da manhã é servido no próprio quarto, 30 minutos antes da chegada ao destino.

 

A arrumação dos veículos no interior das garagens dos ferries é meticulosamente orientada pelas equipes dos navios, e executada com a precisão de uma operação militar. Em dias de muito movimento nenhum espaço pode ser desperdiçado, por isso é necessário seguir rigorosamente o que os flanelinhas marítimos mandam fazer e estacionar o carro exatamente no local indicado. Durante a travessia do Canal da Mancha é proibido permanecer dentro dos veículos. No entanto, se você tiver a sorte de pegar um dia bonito, pode estar certo que irá desfrutar de visuais inesquecíveis do tombadilho superior.

Ao contrário do que alguns previam, a inauguração do túnel sob o Canal da Mancha não acabou com o transporte de passageiros e carga pelos ferries. Como o preço da passagem neles é relativamente baixo, muitas pessoas continuam preferindo usar esta opção. Mesmo porque a paisagem é muito mais bonita vista de um navio do que de um trem por baixo da terra...

 

Na verdade o túnel sob o Canal da Mancha é formado por 3 túneis paralelos. Um de ida, outro de volta e um terceiro de serviço. Eles passam dentro da rocha, 45 metros abaixo do fundo do mar e tem comprimento de 50,4 km cada. Passageiros são transportados pelo trem Eurostar e carga pelo Le Shuttle.
Clique sobre esta foto para vê-la em alta definição.

Em 1994 foi inaugurada a linha de trens Eurostar, ligando Londres e Paris a 300 km/hora através do túnel construído sob o Canal da Mancha. Batemos esta foto na entrada de um dos vagões de passageiros do Eurostar. Mais e mais pessoas tem usado esta alternativa para viajar entre as duas cidades. A viagem dura pouco mais de duas horas, ligando a Gare du Nord, Paris à Saint Pancras Station, Londres. Durante os horário de pique as saídas acontecem a cada 40 minutos. A passagem não é muito barata, mas em compensação ganha-se tempo, conforto e a conveniência de em poucas horas passar de uma cidade à outra sem precisar ir até o litoral, nem pegar navios ou aviões. 

Veja alguns vídeos que colocamos no Youtube clicando em Eurostar partindo de Paris  e  Eurostar partido de Paris (feita em outro ano). E também o Eurostar percorrendo o interior da França a 300 km/hora. E Eurostar entrando no Tunel.

 

O ano de 1785 marcou a primeira travessia do canal por balão. Em 1875 ocorreu a primeira travessia a nado das turbulentas e geladas águas da Mancha. 1909 viu o primeiro avião sobrevoar o Canal. E em 20 de Janeiro de 1986 Margaret Thatcher e François Mitterand assinaram o tratado decidindo a construção do túnel inaugurado em 1994. O custo da construção foi de 9 bilhões de libras esterlinas. De barreira intransponível, isolando a Inglaterra do resto do continente europeu a mais um atrativo turístico, o Canal da Mancha percorreu um longo caminho, mas sempre mantendo seu charme e fama inalterados. Se você um dia estiver viajando entre Londres e Paris considere a travessia do Canal da Mancha pelo túnel. A viagem é tão suave que nem dá para lembrar que estamos passando pelo fundo do mar.

Veja ainda o vídeo Eurostar chegando em Londres.

Foto do interior de um dos vagões do Eurostar. A construção do túnel foi iniciada em 1987. Os dois túneis de passageiros são formados por enormes círculos cavados na rocha, com diâmetro de 7,6 metros. O túnel de serviço tem diâmetro de 4,8 metros. Os 3 túneis são conectados entre si a cada 375 metros por passagens de emergência.
Clique sobre esta foto para vê-la em alta definição

 

A música desta página é do filme A Pequena Sereia, de Disney Under the Sea (sob o mar)

A idéia de construir um túnel sob o Canal da Mancha surgiu em 1802. Este desenho ilustra um projeto de Albert Mathieu, apresentado à Napoleão Bonaparte. Pelo projeto, carruagens puxadas a cavalo iriam da França à Inglaterra pelo túnel, e respiradouros acima do nível da água garantiriam a circulação de ar em seu interior.