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"La Manche" para os franceses, ou
"English Channel"
para os ingleses. Dois nomes diferentes para o mesmo lugar, conforme
o lado em que se está. De certa forma isto representa bem o significado
do canal que separa os dois países, e ilustra de forma divertida
a eterna e notória rivalidade entre ingleses e franceses. Nos
países de língua portuguesa
esta faixa de água ligando o Oceano Atlântico ao Mar do Norte é
conhecida como Canal da Mancha, e se você vai viajar entre França
e Inglaterra, as chances são de 100% que você tenha que passar por
este canal, seja por cima ou por baixo.
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As primeiras travessias no Canal da Mancha eram
uma temeridade. Os portos eram rasos, pequenos e sem proteção contra
tempestades. Os navios precisavam esperar as marés altas para
aportar. Em 1850 quase todos os navios eram a vela e com poucos
recursos de segurança. Os passageiros do Canal da Mancha faziam
travessias demoradas, perigosas e sujeitas a muito enjôo. Em meados
do século 19, as cidades francesas de Boulogne e Calais
começaram uma competição entre si para ver qual seria a mais bem
sucedida no estabelecimento de uma rota marítima com a Inglaterra. O interesse se justificava pelo desenvolvimento e
lucros que o movimento trazia às cidades. Boulogne saiu na frente, mas
Calais depois levou a melhor. Na Inglaterra era a mesma coisa, com Folkstone e Dover competindo entre si. |
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Atualmente, grandes navios cruzando o canal são uma visão constante,
levando passageiros, automóveis e carga. Como já fizemos mais de uma
vez o roteiro entre Inglaterra e França tivemos a chance de fazer
esta travessia em diversas ocasiões, em horários diferentes e em
diferentes condições de tempo, pegando desde dias com céu azul e
temperatura agradável até dias de muito frio, vento e mar agitado.
O Canal da Mancha é famoso por suas tempestades, pela freqüente
neblina e pouca visibilidade e até mesmo a invasão da Normandia
pelas tropas aliadas, realizada no "Dia D", precisou ser adiada 24
horas devido a uma destas tempestades. Felizmente nunca pegamos um
temporal
nessa rota e o máximo de aventura que tivemos a bordo foi sentir o
navio jogando de um lado para outro a ponto de precisarmos andar com
cuidado para não derrubar a bandeja do almoço.
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Quando estamos próximos ao litoral inglês, os
famosos rochedos brancos de Dover fazem a marca registrada do
Reino Unido. De longe são até confundidos por muitos com imensas dunas de
areia. O trecho mais curto do canal, entre Dover e Calais, tem 30 km
de largura.
Os ferries que ligam a
Inglaterra ao continente são navios dotados de todo conforto. São
embarcações que levam desde passageiros, automóveis, ônibus e
enormes jamantas de carga. O melhor lugar para estar no momento em
que o ferrie zarpa é no convés superior, de onde se pode ver os
outros navios ancorados ao lado, aguardando a hora de partir, os
veículos entrando nas garagens do navio e os preparativos das
equipes de terra, como se fossem um bando de formigas histéricas em
volta de uma minhoca. Dover e Calais tem um movimento frenético de
ferries de passageiros e carga, 24 horas por dia.
Historicamente, foi o Canal
da Mancha que salvou a Inglaterra de ser invadida em mais de uma
ocasião, tanto pelas tropas de Napoleão, como pelos nazistas.
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Veja o vídeo que fizemos
atravessando o
Canal
de Calais para Dover (num ônibus).
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O Canal sempre foi a primeira barreira de proteção do
país em relação ao resto do continente Europeu, e por isso a construção
de uma ponte ou túnel ligando a Inglaterra ao resto do continente, um
projeto sonhado por muitos, era vista por outros com desconfiança e
receio. Estas dúvidas fizeram com que esta idéia fosse sucessivamente
adiada sem que se chegasse a um consenso sobre sua conveniência.
A primeira linha regular de ferries entre Dover
e Calais começou a operar em 1931. Depois que o navio se afasta
do porto e a travessia do Canal da Mancha começa, seja com destino
à Inglaterra ou à França, o cenário é muito semelhante: Água por
todos os lados e a companhia de diversos outros ferries cruzando
o canal em todas as direções.
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Veja o vídeo da travessia em sentido
inverso:
Embarcando em Dover para Calais.
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A menor distância entre Inglaterra e França é
justamente no trecho do canal situado entre as cidades de Dover e Calais, por isso o
movimento neste trecho da Mancha é muito grande e os portos são
bastante movimentados. Os ferries de passageiros fazem a travessia entre Dover e Calais
em apenas 90 minutos, mas oferecem tantos confortos, como
restaurantes, bares, cafés e shoppings que quando nos damos conta
a travessia já está quase no fim, e parece ter durado somente 20
minutos.
A lotação dos ferries, bem como o preço da passagem
varia muito em função da hora. Depende do tipo de veículo e número de
pessoas. É mais barato atravessar durante a noite, e mais caro entre 10 e
16 horas, quando ocorre o pique de movimento. Bilhetes de ida e volta tem
desconto. Passageiros viajando sem veículos pagam muito mais barato. Nos
horários de pique há uma saída a cada 40 minutos.
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A arrumação dos veículos no interior
dos ferries é meticulosamente orientada pelas equipes dos navios
e executada com a precisão de uma operação militar. Em dias de muito
movimento nenhum espaço pode ser desperdiçado, por isso é necessário
seguir rigorosamente o que os "flanelinhas marítimos" mandam
fazer e estacionar o carro exatamente no local indicado. Durante a
travessia do Canal da Mancha é proibido permanecer dentro dos
veículos, mas isto não seria mesmo uma boa idéia. Se você tiver a sorte de pegar um dia bonito,
pode estar certo que irá desfrutar de visuais inesquecíveis do
deck superior. |
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Fizemos esta imagem num dos porões do ferry, logo
após estacionar nosso carro e antes de subirmos para o convés de
passageiros. Pode-se ver ao lado um ônibus de turismo estacionado. A
maior parte dos navios tem três porões sobrepostos, iguais a este, e embora em épocas de férias, fins de semana e outras
ocasiões de movimento eles fiquem totalmente lotados de veículos,
neste dia estavam quase vazios. Sempre curioso, especialmente para
turistas que estejam de carro ou ônibus, é embarcar no navio pela
mão direita e sair pela mão esquerda, já que as vias de trânsito na
Inglaterra tem sentido invertido. |
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Na verdade, se você esquecer
que está atravessando o famoso Canal da Mancha, a travessia em si é
igual à qualquer outra do gênero, sempre com a companhia de algumas
gaivotas. As duas companhias que há muito anos vem explorando
a travessia do canal são
P&O e
Stena.
Em todas as vezes que fizemos a travessia entre Calais e Dover, ou
vice-versa, nunca precisamos comprar bilhetes com antecedência. Ao
chegar na região de embarque basta estacionar, ir até o serviço de
atendimento e comprar bilhetes para o próximo embarque. Depois é só
aguardar em fila a hora em que o transporte será liberado, para
estacionar num dos porões do ferry. |
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Alguns ferries fazem
travessias bem longas, para Espanha, Holanda ou países nórdicos. Algumas
empresas que operam nestas rotas, como a
Brittany Ferries, oferecem opções
bem confortáveis. Como certas travessias duram a noite inteira, passageiros podem
optar por passar a noite em poltronas reclináveis, cabines standard
e cabines de luxo. Nos decks superiores há bar, lanchonete, restaurante
tipo bandejão e restaurantes à la carte. A imagem ao lado foi
feita numa
destas cabines, numa travessia entre as cidades de Portsmouth e Saint Malo. Elas
dispõem de banheiro completo, duas camas, uma pequena sala de estar,
frigobar e televisão por satélite. O café da manhã é servido no
próprio quarto, 30 minutos antes da chegada ao destino. |
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Em 1994, o que parecia um
sonho impossível por séculos finalmente aconteceu, com a inauguração
do túnel sob o Canal da Mancha, ligando Inglaterra ao continente. E
atravessando o túnel estavam trens de alta velocidade, batizados de
Eurostar. O impacto que esta nova ligação trouxe aos
transportes, à noção de distância entre países, ao comércio e
principalmente ao turismo foi imenso. Londres estava agora somente a
pouco mais de duas horas de Paris, numa viagem ligando o centro das
duas cidades com todo conforto. Muito chegaram até a profetizar que
os tradicionais ferries estavam condenados ao desaparecimento. Mas,
como sempre, o que determina o sucesso ou não de qualquer
empreendimento são seus custos, e após passados os festejos e a
euforia pela inauguração do Eurotúnel, os elevados custos
operacionais do Eurostar deixaram claro que continuaria a
existir espaço para os ferries continuarem operando e também muitos
passageiros para eles. |
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A imagem ao lado
foi feita no interior do Eurotúnel, que faz ligação entre o
continente europeu e Inglaterra. Este é o mais extenso túnel
submarino do mundo, sendo que o comprimento do trecho submerso tem
38 km de extensão. Na verdade são três túneis, por onde circulam os
trens de alta velocidade. Um túnel de ida, outro de volta e um de
serviço, situado entre os dois principais. O comprimento total de
cada um destes túneis é de 50 km. Mas se você vai atravessar o canal
da mancha por este túnel não imagine que vai sentir alguma coisa
especial, porque poderá ficar decepcionado. Embora o túnel chegue a
75 metros de profundidade sob o mar, a sensação que passageiros
sentem é idêntica à proporcionada por qualquer outro túnel
ferroviário. |
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Clique sobre esta imagem para vê-la em maior resolução
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Atravessar o Canal da Mancha
sobre as águas ou sobre as ondas é uma questão de gosto, pressa e
disponibilidade financeira. Passageiros a pé, que queiram ir
rapidamente do centro de Paris ou Bruxelas até Londres, que saibam a
data exata de sua viagem e não pretendam modificá-la podem se
aproveitar das boas ofertas promocionais do Eurostar, e encontrar
bilhetes baratos. Já quem estiver de carro deve fazer as contas com
cuidado, e provavelmente chegará à conclusão que é preferível ir até
o litoral e embarcar num dos ferries da Stena ou P&O. A imagem ao
lado foi feita embarcando no Eurostar, em Paris, Gare do Nord.
Estávamos sem carro, compramos o bilhete com antecedência,
conseguimos bons preços e neste caso valeu a pena. |
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Ao lado imagem do interior de
um dos vagões de segunda classe do Eurostar. A viagem dura
pouco mais de duas horas,
ligando a Gare du Nord, Paris à Saint Pancras Station, Londres.
Durante os horário de pique as saídas acontecem com muita frequência.
As acomodações são confortáveis, as composições tem carro
restaurante, trolleys oferecendo sanduíches e bebidas. Como viajam a
300 km por hora, é sempre divertido olhar pela janela e ver carros e
caminhões que circulam a 150 km/h nas autoestradas ficarem para trás
como se estivessem parados. Se você souber aproveitar os preços
promocionais do Eurostar e tem pressa de chegar ao seu destino, essa
é de longe a melhor opção de transporte.
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Veja três vídeos que fizemos ao viajar
no Eurostar:
Partindo de Paris,
Interior do Eurostar e
Chegando a Londres.
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O ano de 1785 marcou a primeira travessia do
canal por balão. Em 1875 ocorreu a primeira travessia a nado das
turbulentas e geladas águas da Mancha. 1909 viu o primeiro avião
sobrevoar o Canal. E em 1986 Margaret Thatcher e
François Mitterand assinaram o tratado decidindo a construção do
túnel inaugurado em 1994. O custo da construção foi de 9 bilhões de
libras esterlinas. De barreira intransponível, isolando a Inglaterra
do resto do continente europeu a mais um atrativo turístico, o Canal
da Mancha percorreu um longo caminho, mas sempre mantendo seu charme
e fama inalterados. |
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A música desta página é Under the Sea (sob o mar)
do desenho A Pequena Sereia,
dos estúdios Disney.
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A idéia de construir um túnel sob o Canal da
Mancha surgiu em 1802. O desenho acima ilustra um projeto de Albert
Mathieu,
apresentado à Napoleão Bonaparte. Pelo projeto, carruagens puxadas a
cavalo iriam da França à Inglaterra
pelo túnel, e respiradouros acima do nível da água garantiriam a
circulação de ar em seu interior.
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