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Certa vez, quando criança,
visitei com meus pais o Grand Canyon. Era inverno, e lembro que
fomos acordados pelo guia da excursão de manhã bem cedo, porque
nevava forte, e se não saíssemos do parque imediatamente, as
estradas seriam soterradas pela neve e ficaríamos presos naquele
lugar sabe-se lá por quanto tempo. Mais de trinta anos depois
daquela visita voltamos ao parque, desta vez durante o mês de
setembro. Não havia mais neve e o calor durante o dia era fortíssimo. Para nós foi uma emoção reencontrar aquele
cenário tão especial, ao mesmo tempo que para o Grand Canyon estes
trinta anos devem ter representado poucos segundos, pois ele
continuava lá, do mesmo jeito. Exatamente como tem estado nos
últimos milhões de anos, uma maravilha da natureza, construída e
moldada pelo vento, chuva e erosão ao longo dos séculos.
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O Grand Canyon é uma imensa falha no terreno, medindo
quatrocentos e quarenta quilômetros de comprimento, quase dois quilômetros de profundidade
e largura variando de 200 metros a 27 quilômetros e é considerado
como uma das maiores maravilhas da natureza. Além do vento,
chuva e erosão, outro grande responsável por esta maravilha foi o rio Colorado, que ao longo dos séculos
abriu caminho a força por entre aquelas rochas, moldando a pedra
e criando um fantástico zigzag de corredeiras de água entre
os paredões verticais de pura rocha.
Na verdade o trabalho do rio
continua, de forma quase imperceptível, e se tivéssemos olhos mais
atentos, poderíamos perceber que alguma coisa, bem pequenina, está
agora um pouquinho diferente do que estava naquela primeira visita
ao parque, há trinta anos.
A primeira impressão que o
Grand Canyon costuma causar é de espanto, devido à grandiosidade do
lugar e à sensação de sem fim, tanto em distância como em
profundidade. A seguir percebemos as formas estranhas, os diferentes
matizes de cores, a perspectiva que se perde ao longe, entre picos,
rochedos, encostas, e ficamos meio embasbacados com as
maravilhas que a natureza pode fazer quando o homem não se mete a
atrapalhar seu curso natural. A rocha mais antiga do conjunto tem
idade estimada em 1,7 bilhões de anos, e a mais nova 250
milhões de anos.
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O Grand Canyon situa-se ao norte do estado do Arizona, no oeste
Americano. Para chegar lá o ideal é tomar como ponto de partida
a cidade de Flagstaff, e seguir rumo norte pela estrada 180 e depois
pela 64. De Flagstaff até a entrada do Grand Canyon National Park
são cerca de 90 minutos de carro. Paga-se uma taxa para acessar
o parque, e se você pretende fazer este passeio nos meses do verão
americano, prepare-se para encontrar pela frente prováveis congestionamentos,
pois muita gente vai lá nesta época. Ao lado a torre de pedra
conhecida como Watch Tower, situada a cerca de 20 km a este da
entrada principal, e 2.260 m acima do nível do mar.
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O Grand Canyon tem dois acessos, conforme o lado
em que você se aproxima dele: South Rim (lado sul do canyon) e North
Rim (lado norte). Como tem acesso mais fácil e próximo de rodovias
importantes, o South Rim é muito mais visitado que o lado norte,
concentrando as melhores opções de infraestrutura, restaurantes,
hotéis etc, enquanto o lado norte é freqüentado principalmente por
quem vem daquela parte do país, ou procura isolamento e distância
dos barulhentos turistas. Para passar de um ao outro lado é preciso dar a
volta em todo o Grand Canyon, e já que não há estradas através do
desfiladeiro, este contorno corresponde a uma jornada de centenas de
quilômetros.
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Para a maioria dos visitantes,
um dia completo no lugar é suficiente para uma visita básica, mas
se você quer explorar mais o Grand Canyon vale a pena pensar em ficar dois ou
três dias.
Como o Grand Canyon é um lugar
muito procurado, não só por americanos mas também por gente de todas
as partes do mundo, o local fica muito cheio durante o verão
(do hemisfério norte), a ponto do acesso ser as vezes limitado pela
administração do parque, ou seja, só deixam mais pessoas entrar
quando outros tantos saírem. Por isso, se possível procure visitar o
local fora dos meses de junho a agosto, época de férias no
hemisfério norte.
Outro ponto a considerar é
onde ficar. Os hotéis situados junto ao canyon tem situação
privilegiada, e logicamente são ideais para aproveitar ao máximo a
viagem, mas são caros, podem não estar dentro de seus planos
orçamentários, e costumam estar sempre lotados durante a alta
temporada. Quem deseja se hospedar num deles (Grand Canyon Squire
Inn, Grand Canyon Suites etc) deve fazer a reserva com a maior
antecedência possível.
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Outras alternativas de
hospedagem estão nas cidades mais próximas do canyon, como na
pequenina Valley (30 km ao sul), Williams (97 km ao sul) ou na
agradável Flagstaff (129 km ao sul). Caso se hospede nestas cidades
o ideal é sair de seu hotel bem cedo, para aproveitar todo o dia
visitando o canyon. Na localidade de Tusayan, pouco antes da entrada
do parque há também campings e toda uma ótima infraestrutura, com
super mercados, correios, farmácias etc.
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A exploração do canyon pode
ser feita de várias formas. O passeio básico é percorrer as trilhas
que margeiam a borda do despenhadeiro, enquanto o roteiro mais
rústico é a descida até o fundo do canyon em mulas, nas excursões
organizadas pela administração do parque. O único problema é que
este passeio de mulas é muito procurado e os lugares são poucos o
que torna necessário fazer reservas com muita antecedência, se
preferível um ano antes da data de sua visita. Observe na imagem ao
lado, um grupo de turistas descendo por uma íngreme trilha na
direção do fundo do canyon.
Portanto, como os lugares no
lombo das mulas são poucos, se você pretende mesmo ir até o fundo do Grand Canyon esteja preparado para
caminhar. E aconselha-se estar em boa forma física e levar muita
água. Não é aconselhável ir e voltar
até o fundo no mesmo dia, pois são muitos quilômetros de trilha
inclinada, e a caminhada é estafante. É preferível acampar, passar
a noite lá, e começar a caminhada de volta no dia seguinte.
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Existem também passeios
alternativos, como vôos em pequenos aviões e helicópteros, excursões
de ônibus (que não vão até o fundo do canyon, claro) e ainda os
famosos passeios de barco pelas correntezas do rio Colorado, que
corta o fundo do canyon. Todos estes roteiros podem ser acertados na
administração do parque.
Um dos passeios mais bonitos
oferecidos no local é o Overnight Ride que consiste na descida em
mulas até um rancho (Phantom Ranch), situado próximo ao rio
Colorado, onde os visitantes passam a noite. Nós não fizemos este
nem outro passeio qualquer de mula, mas fica aqui a sugestão.
Roteiros a pé acompanhados de Rangers (os guardas turísticos do
parque) são oferecidos diversas vezes por dia e são especialmente
indicados para quem deseja conhecer um pouco mais da história,
aspectos da natureza e geologia do terreno. Todos os passeios são
narrados somente em inglês.
Outro roteiro muito legal é o
passeio de trem ligando a cidade de Williams até a entrada do
parque. Se você for se hospedar nesta cidade, vale a pena embarcar
no Grand Canyon Railway, e a diversão já irá começar mesmo antes de
chegar ao canyon.
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A importância turística do Grand Canyon é tão
importante para o Arizona, que o estado adotou como seu lema a
expressão The Grand Canyon State, ou seja O Estado do Grand Canyon.
E justifica-se a homenagem, porque o parque é responsável pela maior
parte dos turistas que visitam o Arizona.
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Antes de escolher o trajeto a seguir procure se
informar sobre as trilhas existentes e suas características. Existem
diversas trilhas, tanto no South Rim como no North Rim, com
características e graus de dificuldade diferentes. Algumas foram
construídas por mineradores há dezenas de anos, outras são mais
recentes e oferecem locais de acampamento, fontes ao longo do
caminho etc. A administração do parque fornece mapas e dicas sobre
cada uma destas trilhas. Entre as mais conhecidas estão a Clear
Creek Trail, South Kaibab Trail e Tanner Trail. É importante levar
equipamento adequado e mapas antes de começar sua aventura.
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O Grand Canyon Skywalk é uma
construção recente, e nem todo mundo gostou da idéia quando ela
surgiu. Houve quem dissesse que a obra iria arruinar a autenticidade
do canyon e que não tinha nada a ver com a natureza do lugar. Mas
houve também que dissesse que ela iria atrair ainda mais turistas e
portanto seria uma boa fonte de renda.
A passarela de vidro e aço foi
inaugurada em 2007 após muitas polêmicas e sua idéia é fornecer aos
visitantes a sensação de estar andando no espaço, sobre o Grand
Canyon. A plataforma está encravada na rocha, a mais de mil metros
de altura do fundo do canyon e de fato fornece um visual incrível,
apesar de destoar completamente do cenário natural em volta.
O Grand Canyon Skywalk
situa-se a oeste da Grand Canyon Village (west rim), num outro ponto
do canyon conhecido como Grand Canyon West, bem distante da entrada
do parque nacional. É um local operado por terceiros, independente
do Grand Canyon National Park. Saindo de Kingman siga pela estrada
Stockton Hill Road North, depois pegue a Pierce Ferry Road e depois
siga em frente pela Diamond Bar Road. De Kingman até a Grand Canyon
Skywalk são aproximadamente 120 km de distância.
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O Grand Canyon já era habitado por indígenas há mais
de três mil anos. Atualmente ainda moram na região índios das tribos Hualapai, Havasupai, Navajo, Hopi, e Paiute. Sua redescoberta para
o mundo foi em 1857, graças ao explorador Joseph Christmas, sendo
que em 1919 foi criado o Grand Canyon National Park,
administrado pelo governo americano.
Atualmente mais de 2,5 milhões de pessoas visitam o parque a cada
ano. Ao lado, imagem de um brasileiro exausto, descansando um
pouquinho durante caminhada por uma trilha.
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Um dos momentos mágicos do Grand Canyon
é ao cair da tarde, quando o sol bate nas rochas e cria incríveis
visuais, entre jogos de luz, sombra e cores diversas. Vale a pena
ficar até mais tarde por lá para presenciar este evento.
No Brasil estamos acostumados
com as belezas exuberantes de nosso planeta, na forma de verdes
matas, o azul do mares, areias brancas das praias etc. Mas ao
visitar o Grand Canyon foi impossível não constatar, que a natureza
tem muitas outras formas maravilhosas de se expressar. E o Grand
Canyon deixa isto bem claro para seus visitantes, ao mostrar o lado
árido, rústico, agressivo, dramático e estonteantemente belo que a
natureza também pode assumir.
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Veja mais informações sobre
este lugar no site oficial:
Grand Canyon.
A música desta página é Sacred Mountains,
adaptação de canção tradicional Navajo, antigos habitantes deste local.
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