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Antigamente diziam que os nobres tinham
sangue azul a correr pelas veias, o que lhes diferenciaria dos meros
plebeus. Mas e as cidades, existiriam cidades nobres? Pois se elas
existissem, esta seria uma delas: Petrópolis, a cidade de Pedro,
Imperador do Brasil. A única cidade brasileira com pedigree real
muito justamente é conhecida até hoje como a Cidade Imperial. Mas
engana-se quem pensa que ela ainda vive cultivando este longínquo
passado. Petrópolis é hoje um dos locais mais aprazíveis do estado,
além de importante pólo turístico e gastronômico. Montanhas,
vegetação, programas agradáveis com um clima gostoso fazem de
Petrópolis o refúgio ideal para cariocas estressados e turistas de
todo o Brasil.
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Petrópolis surgiu há cerca de
150 anos, quando o imperador D. Pedro I, a caminho de Minas Gerais,
decidiu permanecer alguns dias na casa de Padre Correia e logo
encantou-se com a região. Comprou então uma propriedade
pensando em futuramente transformá-la num palácio de verão. Com a
volta do monarca à Portugal, a tarefa acabou ficando a cargo de
Pedro II, que deu forma às idéia de seu pai. Em 1845 começariam as
obras no terreno, fazendo surgir aos poucos o palácio em estilo
neoclássico, atualmente conhecido como Palácio Imperial. O projeto
do imperador previa não somente a construção de um belo palácio mas
também a criação de uma cidade em seu entorno, inclusive a
colonização de toda área.
Ainda hoje muita coisa em Petrópolis ainda nos remete ao seu
passado imperial, a começar pelo nome das ruas até dezenas de
mansões que serviram de moradia à princesas, condes e barões. Na
imagem ao lado aparece a principal via da cidade, a rua do
Imperador, com destaque para o obelisco de Petrópolis, principal
marco arquitetônico do centro. Medindo 20 metros de altura, ele
homenageia não somente Pedro II, mas também todos os colonos que
aqui se estabeleceram e ajudaram a desenvolver a cidade. |

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Turistas devem começar a
visita à cidade pelo Palácio Imperial, aquele mesmo construído por
Pedro II. Situado na rua da Imperatriz, a dez minutos de caminhada
do obelisco. Com o fim da monarquia no Brasil e o exílio da família
imperial, o palácio foi alugado pela princesa Isabel, passando a ser
utilizado pelo Colégio Notre Dame de Sion e mais tarde colégio São
Vicente de Paula. Somente em 1943, graças a um decreto do então
presidente Getúlio Vargas, que foi criado Museu Imperial. Seu acervo
oferece uma rara visão de como era a vida da família imperial, e
entre as peças destaca-se coroa de Dom Pedro II, especialmente
confeccionada para sua sagração quando o monarca tinha 15 anos. |
Na entrada do palácio os visitantes são
convidados a calçar pantufas, para preservar o belo piso original e podem
então deslizar entre as peças, apreciando por exemplo o cofre de bronze dourado que Luís
Filipe da França deu a seu filho François d' Orleans em seu casamento com
a Princesa Dona Francisca, o colar de ouro, esmeraldas e rubis com
insígnias do império que pertenceu à Imperatriz Dona Leopoldina e o colar
de ametistas da Marquesa de Santos. Outro item que costuma deslumbrar os
visitantes é a grande mesa de refeições preparada com todas as louças
e talheres de prata, como se estivesse esperando a chegada do imperador a
qualquer momento para jantar. Clique e veja um vídeo feito na
Chegada ao Palácio Imperial.
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A imagem ao lado é cópia de um
painel existente no Museu Imperial de Petrópolis e mostra a família
real brasileira em sua última fotografia antes da partida para o
exílio, em 1889. A foto de Otto Hees mostra, da esquerda para a
direita: Imperatriz Teresa Cristina e Príncipe Dom Antonio
(sentados), Princesa Isabel, Imperador Dom Pedro II, Príncipe Dom
Pedro Augusto, príncipe Dom Luiz, conde d'Eu Gaston d'Orleans e
príncipe Dom Pedro de Alcântara. Após a proclamação da
república, em 15 de novembro de 1889, a família imperial deixou o
país com destino à França. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo
Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel
Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo foi o primeiro e único
imperador brasileiro nascido no Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro, em
2 de dezembro de 1825 e faleceu em Paris, em 5 de dezembro de 1891.
Seus muito descendentes vivem hoje entre Europa e Brasil. Mais
detalhes no site
Casa Imperial Brasileira. |

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O Palácio de Cristal, na
imagem ao lado, é uma das principais construções históricas de
Petrópolis e não pode ficar de fora de seu roteiro turístico. Foi
construído na França, atendendo a uma encomenda do Conde d'Eu,
marido da princesa Izabel, desmontado e trazido aos pedaços para
Petrópolis, onde foi reconstruído. Seu estilo é inspirado no famoso
Palácio de Cristal de Londres. Inaugurado em 1884, tinha como
finalidade abrigar exposições diversas e as grandes festas da
família real e convidados. Em 1938 funcionou como Museu Histórico de
Petrópolis, quando o acervo foi transferido para o Museu Imperial.
Atualmente abriga exposições e eventos diversos, como a Bauernfest,
em homenagem aos colonos alemães da cidade. |
Clique e veja um vídeo mostrando o
Palácio de Cristal.
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Quase todo mundo que vai à
Petrópolis aproveita para comprar malhas e lãs de todos os feitios
na rua Teresa, praticamente um shopping a céu aberto. A importância
da cidade como pólo têxtil teve início em 1873, com a inauguração da
Companhia Petropolitana de Tecidos, primeira de muitas fábricas que
iriam se instalar na região. Foi graças aos trabalhadores desta
indústria que surgiram diversos bairros, como Bingen,
Morin e Cascatinha. As grandes indústrias téxteis não estão mais em
Petrópolis mas em compensação, há centenas de pequenas confecções na
região, que tem na rua Teresa sua principal vitrine e ponto de
comercialização. Na imagem ao lado, um trecho da rua Teresa |

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Clique sobre
esta foto para ver o Quitandinha em alta definição
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Além do Museu Imperial o outro
símbolo de Petrópolis é o famoso Quitandinha. Construído a partir de
1944, tinha como objetivo ser o maior hotel e cassino da América do
Sul. Com 440 grandes apartamentos, 13 salões de baile e uma
aparência de castelo do Loire, o Quitandinha viveu dias de glória,
recebendo políticos, membros da realeza européia e astros de
Hollywood, como Evita Perón, Errol Flynn, Lana Turner, Henry Fonda,
Maurice Chevalier, Greta Garbo, Carmen Miranda, Bing Crosby, Orson
Welles e Walt Disney. Mas os dias de cassino duraram pouco
pois em 1946 o jogo foi proibido em todo país e o Quitandinha acabou
fechando. Atualmente funciona como condomínio de luxo e tem planos
de transformar-se em centro de eventos esportivos e shows. |
Clique e veja um vídeo mostrando o
Quitandinha à distância.
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A melhor forma de percorrer o
centro histórico de Petrópolis é a bordo destas simpáticas
charretes, conhecidas como Vitórias. O nome é referência à rainha
Vitória da Inglaterra, e ao meio de transporte preferido pela
soberana do século 19. Seu ponto de partida é em frente ao
museu imperial e por uma taxa fixa você tem direito a um passeio de
aproximadamente duas horas, com paradas nos principais pontos turísticos e
históricos da cidade, tudo explicadinho pelo condutor e guia
turístico. Da última vez que estivemos em Petrópolis nosso
condutor e guia foi o seu Roberto, que além de ser uma simpatia
demonstrou saber tudo e mais um pouco sobre a história da cidade e
seus principais personagens.
É interessante lembrar que,
apesar de Petrópolis ter surgido graças à D. Pedro II, logo após a
declaração da república e do conseqüente exílio da família real para
a Europa, o governo decidiu como que "limpar" os vestígios da corte
na cidade, dando início a um programa em que até as ruas batizada
com nomes de nobres eram renomeadas. Felizmente a fase de "caça às
bruxas monáquicas" não teve vida longa, e mais tarde esta época importante da história da cidade e do
país seriam resgatadas.
Clique e veja um vídeo feito
Passeando de Vitória. |

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Entre os pontos que fazem
parte do roteiro das Vitórias está a famosa
Catedral de São Pedro de Alcântara. Sua construção teve início em 1884, de
acordo com a Vontade de Pedro II e seguindo um projeto de Francisco Caminhoá.
Cinco anos depois do início das obras era proclamada a república no
Brasil e o imperador deixava o país para o exílio. Mesmo assim
as obras prosseguiram até 1901, quando foram suspensas. Somente em
1918, após o término da primeira guerra a construção foi reiniciada,
permitindo que, em 29 de novembro de 1925, fosse inaugurada a
Matriz de Petrópolis. Sua torre de setenta metros de altura, no
entanto, só foi concluída em 1969. Desde 1939 o mausoléu da catedral
abriga os restos mortais do imperador D. Pedro II e da imperatriz D.
Tereza Cristina. Em 1971 foram também transferidos para o mausoléu
os restos mortais da princesa Izabel e seu marido, o conde d'Eu. Não
raro, muitos visitantes se emocionam ao visitar a catedral e
conhecer o mausoléu do imperador brasileiro e de sua família.
Clique e veja um vídeo mostrando o
Centro de Petrópolis. |
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Petrópolis também homenageia com orgulho um de seus mais
famosos moradores, Santos Dumont, o Pai da Aviação. Numa das áreas
mais nobres da cidade foi erguida uma réplica em tamanho real do
avião que entrou para a história, o 14 bis. Como se sabe, foi em 23 de outubro de 1906,
quando pela primeira vez no mundo um aparelho mais pesado que o ar
conseguia decolar com a força de seus próprios motores, percorrer 60
metros de distância elevando-se dois metros acima do chão, e
aterrisar com segurança. O evento histórico aconteceu em Paris, no
campo Bagatelle, dando à Santos Dumont o reconhecimento de todo o
mundo. Poucas semanas depois ele fez ainda mais, percorrendo com seu
avião 220 metros de distância a seis metros de altura.
Veja um vídeo mostrando este
14bis de Petrópolis. |

Clique sobre esta foto
para vê-la em alta definição.
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para vê-la em alta definição.
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Foi Petrópolis a cidade que Santos
Dumont escolheu para morar, após sua consagração na Europa. Nesta
cidade ele construiu uma singela residência, mas que já deixava
claro que tinha sido projetada por alguém muito inteligente e com idéias
à frente de sua época, como por exemplo um chuveiro de água quente aquecida
a álcool, algo que nunca tinha sido visto no Brasil da época.
Construiu também uma escada externa que só pode começar a ser subida
com a perna direita e uma escada interna ao contrário, que só pode
começar a ser subida com a perna esquerda. A casa não tem paredes
divisórias internas e possui um observatório astronômico sobre o
telhado. Conhecida como "A Encantada", a casa de Santos Dumont
costuma estar lotada de visitantes, especialmente estudantes, que
vem conhecer de perto algumas das genialidades do Pai da Aviação,
inventor, entre outras coisas, do relógio de pulso.
Veja um vídeo feito em frente
à
Casa de Santos Dumont.
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O prédio do Solar do Império é
outro dos mais importantes marcos arquitetônicos e históricos de
Petrópolis. Construído em 1875, ele foi erguido por um rico
comerciante no terreno que um dia havia pertencido ao nobre
conhecido como Barão da Estrela. Atualmente é um dos melhores hotéis
da cidade, situado na avenida Koeler, famosa por reunir grandes
mansões e palacetes remanescente da época imperial. Faz parte desta
seleta relação o não muito distante Palácio Rio Negro, que tem este
nome por ter sido comprado pelo barão do Rio Negro, em 1889. Mais
tarde passaria a servir com residência presidencial de verão, já
tendo hospedado Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek entre outros.
Clique e veja um vídeo feito
nos jardins do
Solar do Império.
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Construção bem menos opulenta mas muito interessante
é a Casa
da Ipiranga, construída em 1884 e mais conhecida como Casa dos Sete Erros,
devido às suas curiosas diferenças arquitetônicas entre o lado esquerdo e
direito. Não deixe de visitá-la e tentar encontrar todas as diferenças
entre os dois lado. Outros endereços famosos da cidade são a Casa do
Visconde de Mauá, Palácio Grão Pará, Castelo do Barão de Itaipava, casa de
Joaquim Nabuco e a residência da Princesa Izabel (clique e veja um
vídeo
feito em seus jardins).
Devido à sua proximidade do Rio de
Janeiro, Petrópolis sempre fez parte do mundo fashion pois
na era monarquista era freqüentada por duques, condes e barões, e depois,
com o surgimento da república, passou a receber presidentes, políticos e
celebridades diversas. Foi somente com a transferência da capital para
Brasília que este lado fashion da cidade abrandou, e Petrópolis encontrou
espaço para firmar-se como importante pólo turístico.
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Talvez devido ao Quitandinha e
à época que ele remete, ou pelas mansões imperiais, ou ainda pelas
Vitórias puxadas a cavalo, ou quem sabe pelo sabor típico de cidade
pequena, cada vez que vamos à Petrópolis sentimos que ainda existe
por aqui, em algum lugar, um clima tipo Anos Dourados, dos tempos em
que as coisas eram mais suaves e agradáveis. Pode até ser que esta
sensação esteja somente em nossos olhos, mas de qualquer forma, não
há quem discorde que passar uns dias na eterna Cidade Imperial é a melhor
forma de deixar estresses e preocupações para trás. Seja nos meses
de inverno, quando suas baixas temperaturas propiciam o romantismo
que aquece, ou no verão, quando fornece o refúgio ideal para escapar
do calor excessivo Petrópolis sabe sempre ser acolhedora e
agradável. |
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