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Nesta página estão 13 fotos de Pelotas, RS.
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Entre os ícones arquitetônicos do período áureo da cidade destaca-se o Grande Hotel (prédio amarelo atrás das palmeiras, na imagem logo acima), construído entre 1925 a 1928. Em estilo art noveau, o imóvel de quatro andares tem 76 quartos, 6 suites, salão de chá, restaurante, escadaria de mármore, corrimãos de ferro trabalhado e e uma grande clarabóia executada com vidros trazidos de Paris. No Grande Hotel eram organizados grandes banquetes e os principais eventos públicos de Pelotas. Sim, Pelotas era chique! Mas como uma cidade situada tão no extremo sul do Brasil e afastada dos grandes centros, chegou a este ponto de riqueza? Bem, tudo começou com as Charqueadas. Elas deram início à tudo por aqui. Nas Charqueadas era produzida a carne de gado salgada, conhecida na região sul como charque, na região norte como carne de sol e por outros nomes em diferentes regiões. O charque era algo que podia ser armazenado com facilidade, não estragava, era fácil de transportar, e indispensável para a alimentação de populações inteiras, Brasil afora. Ou seja, era ouro puro. Na época o Rio Grande do Sul já possuía imensos rebanhos e a região de Pelotas situava-se próxima ao oceano, ligada ao mar através de um arroio e da Lagoa dos Patos, o que garantia facilidade para escoamento da produção. Tudo isto fazia da região um ponto ideal para implantação de charqueadas e foi com esta aguçada visão empresarial que o português José Pinto Martins, recém chegado do Ceará, estabeleceu no local a primeira charqueada, em 1779. Sua idéia foi um sucesso e em pouco tempo José Martins estava rico. Tal foi o sucesso econômico de sua charqueada que nos anos seguintes diversos outras foram estabelecidas na região, às margens do arroio Pelotas. E graças ao dinheiro proveniente das charquedas logo surgiriam também hotéis, mansões, teatros, palacetes, prestigiadas instituições de ensino, cresceria o comércio, apareceriam estradas, surgiria uma elite econômica e nasceria uma cidade: Pelotas.
Em frente a estes prédios situa-se a Praça Coronel Osório, considerada o coração histórico de Pelotas. Uma curta caminhada pela praça nos conduz ao imponente chafariz central (As Nereidas, importado da França em 1873), e mais adiante até os monumentos As Três Idades do Trabalho e Monumento à Mãe, obras de Antônio Caringi. Não deixe de conferir também o interessante Relógio Solar e a coluna homenageando Yolanda Pereira, primeira brasileira a ganhar o título de Miss Universo, em 1930. Fora isto, a praça é o lugar ideal para sentar um pouco, e observar a pessoas e simplesmente observar o movimento em volta.
Assim, dê uma pausa na caminhada turística para curtir um bom café ou chá acompanhado de alguns quitutes pelotenses. A cidade tem alguns endereços tradicionais para estes momentos e entre os mais agradáveis estão a exclusiva Doçaria Pelotense (Rua 15 de novembro, centro) e a concorrida Cooperativa Doceiras de Pelotas (Rua Andrade Neves, centro). Mesmo que não tenha nenhuma mesa vaga ao chegar lá não desista, e espere um pouquinho porque valerá a pena. Ah, e quando for saindo e disser Obrigado para a moça que lhe atendeu, não estranhe se em vez de ouvir "de nada" ela lhe disser "merece". Assim é por aqui. Agora, se você é um autêntico doçólogo (apaixonado por doces) imperdível é visitar Pelotas durante o período de realização da Fenadoce - Feira Nacional do Doce - evento anual realizado para promover a cultura doceira da região. Desde o ano 2000 o coração da festa acontece num megapavilhão construído especialmente com esta finalidade, batizado de Centro de Eventos Fenadoce e situado num dos trevos de acesso ao centro. Para saber mais detalhes sobre o mais importante evento turístico de Pelotas visite o site da Festa Nacional do Doce: Fenadoce
O interior do imóvel guarda diversos objetos usados no dia a dia das atividades desempenhadas nas charqueadas, além de móveis e objetos de uso pessoal de várias épocas. No terreno existem ainda resquícios da senzala e um jardim ornado com estátuas, figueiras e fontes. Auguste de Saint-Hilaire, o conhecido naturalista francês, também esteve aqui, e em sua obra descreveu o casarão como sendo "dividido em grandes peças, que se comunicam, umas com as outras, e ao mesmo tempo, se abrem para fora", ou seja, "gênero de distribuição adotado em todo o Brasil". Veja algumas imagens feitas nesta charqueada: Porteira, Pátio Interno, Detalhes e Arroio Pelotas. Depois da visita já deve ser quase hora do almoço. Sugerimos então ir ao agradável e saboroso restaurante e churrascaria Cruz de Malta (Av. Bento Gonçalves) que além de dispor de um ambiente descontraído, tem garçons simpáticos e bons de papo, como o que nos confessou que adoraria um dia poder conhecer o Rio de Janeiro. Ou então a badalada Galeteria Lobão, quase em frente. Já Quem prefere bufês com opções light pode ir sem susto no agradável Mariahs. Ou quem sabe, já que estamos tão perto da fronteira sul, porque não curtir um churrasco ao estilo dos nossos vizinhos uruguaios? Neste caso vá direto ao El Paisano, que serve carnes especiais e receitas tradicionais de nossos vizinhos, inclusive a famosa Parillada uruguaia. Veja um vídeo que fizemos mostrando Pelotas vista do Alto.
Quem gosta de ser acompanhado por um bom guia turístico, capaz de mostrar o melhor da cidade e relatar aspectos históricos e curiosidades locais, como nenhum livro consegue fazer, sugerimos pedir à portaria de seu hotel para contatar a Terrasul Pelotas, que indicou a simpática Lucinda para nos acompanhar, e que deu um show de conhecimento sobre tudo relacionado à Pelotas. Não deixe de incluir no roteiro o Cine Teatro Guarany, inaugurado em 1921 com a apresentação da ópera O Guarani de Carlos Gomes, por uma companhia lírica italiana. Durante setenta e cinco anos, com suas 920 poltronas e 65 camarotes, o Guarany esteve à frente da cena cultural do Rio Grande do Sul, apresentando inúmeras produções cinéfilas e teatrais. Como diversos outros salas do gênero no Brasil, o Guarany mudou de funções e nos últimos anos e passou a abrigar principalmente espetáculos de música, dança e solenidades diversas. Seu exterior aguarda ainda por reformas que deverão deixá-lo com a aparência à altura de sua importância histórica, mas seu interior já foi reformado e merece ser visitado com calma. Veja uma imagem do Interior do Theatro Guarany.
Durante o período de esplendor econômico de Pelotas, o Banco Pelotense foi um dos mais ricos do país, com dezenas de agências, inclusive em outros estados. Interesses políticos e financeiros diversos, aliados à recente revolução de 1930 se uniram, fazendo com que o Banco Pelotense tivesse sua falência decretada em 1931, passando então o imóvel a ser ocupado pelo recém criado Banrisul. Outro imóvel histórico de Pelotas é o Clube Caixeral, prédio de três andares, com diversos elementos decorativos externos, colunas, platibandas frontões e figuras mitológicas representando os deuses Hermes (do Comércio) e Hefesto (da Indústria). Não deixe de observas as cornucópias, de onde jorram ouro, espigas de milho e cachos de uva (representando produção e riqueza) e as palavras gravadas em relevo: Economia, Actividade e Prudência. Importante também na história da cidade é o Teatro Sete de Abril, primeira casa de espetáculos a funcionar no estado, comumente freqüentado por companhias teatrais de outras regiões do país e até mesmo do exterior, assim que chegavam ao estado, através do porto de Rio Grande. As arquitetura artdecô é resultado da remodelação ocorrida em 1916, já que pelo projeto original (1833), de autoria do engenheiro alemão Eduardo Kretschman, o Sete de Abril ostentava dois pavimentos, platibandas vazadas, colunas e balcões com parapeitos de ferro trabalhado. Por três vezes o Sete de Abril recebeu a família imperial brasileira: 1846, 1865 e 1885, quando o Conde d'Eu e a Princesa Isabel visitaram Pelotas. Num dos momentos mais dramáticos de sua história, o teatro foi ocupado pelas tropas de Bento Gonçalves, no período em que estourou a Revolução Farroupilha.
O vocábulo Pelotas, na linguagem dos indígenas locais, era usado para designar pequenas embarcações, geralmente feitas de varas de madeira forradas com couro, puxadas por uma pessoa e usadas para a travessia de cursos d’água. Como os primeiros colonos da região também costumavam usar estas embarcações para transpor o arroio junto às suas terras, o nome acabou sendo utilizado para designar aquele riacho, surgindo então o Arroio Pelotas. Com o tempo a palavra passou a ser usada também para designar a cidade que iria surgir ao sul do arroio Pelotas.
Se as "Estâncias" eram os criadouros de gado, as Charqueadas eram seu local de extermínio e nas duas extremidades desta cadeia grandes fortunas foram feitas e importantes cidades surgiram. No apogeu deste ciclo cerca de quarenta charqueadas funcionavam nos arredores de Pelotas, todas operando com mão de obra escrava, sendo que o número de cabeças de gado abatidas chegava a quase meio milhão por ano. Durante os picos de produção, entre os meses de novembro a abril, conta-se que o arroio Pelotas ficava vermelho, graças ao sangue derramado nas charqueadas. Vísceras e outras partes não aproveitáveis dos animais também eram lançadas no arroio, causando mal cheiro e trazendo sérios problemas sanitários à região.
Diversos fatores contribuíram para o fim do ciclo das charqueadas, a começar pela abolição da escravatura, que acabou com a mão de obra dos charqueadores. Depois surgiram os grandes frigoríficos, permitindo armazenar e transportar carne não salgada. E completando o ciclo vieram as geladeiras domésticas, permitindo à populações inteiras ter acesso à carne fresca. O charque não era mais ouro.
Casarões deste tipo são um retrato fiel das residências de famílias abastadas da época, sendo que o Solar da Baronesa foi comprado em 1863 por Aníbal Antunes Maciel, como presente de casamento para seu filho com Amélia Hartley de Brito, carioca de ascendência inglesa. O casal deixou o Rio de Janeiro e se estabeleceu em Pelotas, sendo que durante os vinte e três anos de matrimônio, implementou diversas melhorias e embelezamentos na propriedade. Aníbal Maciel tornou-se famoso por ter concedido liberdade a seus escravos muito antes da promulgação da Lei Áurea, o que lhe fez ganhar o título de Barão, concedido por D. Pedro II, notório abolicionista. Sua viúva, Amélia Harthey Antunes Maciel tornou-se também notória por sua bondade e altruísmo, sendo que graças à ela a propriedade passou a ser conhecida como Solar da Baronesa. Esta rica parcela da população surgiu primeiramente com a indústria do charque e posteriormente trouxe desenvolvimento à Pelotas graças aos negócios e ao dinheiro que orbitavam em torno do charque. Surgiram então importantes centros comerciais, bancos, clubes, sociedades, teatros, e formou-se uma elite politicamente influente e de vida cultural intensa. Era comum famílias enviarem seus filhos para estudar na Europa. Importantes capitais, como Rio, São Paulo e Buenos Aires, também eram rotineiramente freqüentadas por esta camada privilegiada da população, que por sua vez era influenciada pelos hábitos destas grandes cidades, copiava seus modismos e os trazia para Pelotas. Títulos de nobreza eram concedidos pelo Imperador às figuras mais proeminentes, e Pelotas teve seus barões, viscondes e condes, fazendo surgir, o que na época ficou conhecido como "Aristocracia do Charque". Como seria de esperar, o sucesso de Pelotas começou a incomodar e causar inveja a outras regiões do Rio Grande do Sul. Gaúchos da Campanha, acostumados a lidar quase que exclusivamente com cavalos e vacas, vinham a Pelotas e encontravam barões, baronesas, homens e mulheres bem vestidos, perfumados, cultos e falando francês. Para o homem rude do interior, Pelotas passou então a ser vista como uma cidade diferente. Unidas, ignorância e preconceito fizeram surgir a lenda que Pelotas era "cidade de gente diferente e esquisita". Estereótipo que, mesmo após o termino do ciclo de ouro da cidade, ainda é ouvido em nossos dias.
Nos últimos anos atividades relacionadas ao turismo, comércio, prestação de serviços e eventos como a Fenadoce, tem atraído cada vez mais visitantes a Pelotas, terceira cidade mais populosa do estado. Em nossa visita à cidade ficamos hospedados no Jacques Georges Hotel, impecável em conforto e atendimento. Mas quem quiser curtir as origens de Pelotas e entrar de cabeça no clima das antigas charqueadas tem a opção de hospedar-se numa delas, a Pousada Charqueada Santa Rita.
Veja o set completo com Imagens em Alta Resolução de Pelotas. Quer deixar uma mensagem no Viagens & Imagens? Utilize o
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A música desta página é Paixão, dos compositores e músicos nascidos em Pelotas, Kleiton e Kledir.
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