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Foi através da graciosa Paraty que durante décadas escoaram muitas riquezas brasileiras com destino a Portugal. Por estar situada numa das extremidades da histórica Estrada Real, o ouro proveniente das Minas Gerais era embarcado nesta cidade do litoral carioca, antes de atravessar o oceano. Hoje Paraty não recebe mais ouro nem a estrada real tem a mesma importância econômica do longínquo 1710. Paraty, no entanto, de certa forma pouco mudou. Não possui mais ouro, mas ainda guarda inúmeros tesouros históricos. E mesmo sem a estrada real, continua a receber milhares de turistas ávidos em conhecer um pedacinho daquele Brasil colonial.

   

Paraty seria praticamente igual a tantas e tantas outras cidades brasileiras não fosse pela autêntica jóia da coroa que a cidade preserva com cuidado. Este trecho, conhecido como Centro Histórico, é que faz turistas virem de tantos lugares do Brasil e até mesmo do exterior, para conhecer. É uma região formada por menos de quarenta quadras, situada bem em frente à baía. Repleto de casarões, casinholas, igrejas, bares, restaurantes, residências, museus e lojinhas, que tem como característica a pavimentação pé de moleque, formada por grandes pedras assentadas de forma aleatória. É uma área pequena, mas cada construção e cada rua são uma festa para os olhos, e que nos dão a sensação de termos voltado ao Brasil do século 18.

 

O prédio que aparece nas duas fotos acima é a Igreja de Santa Rita dos Pardos Libertos, que tem a honra de ser a construção mais fotografada da cidade, além de seu principal cartão postal. Sua construção teve início em 1722, tendo sido erguida justamente pelos antigos escravos de cor parda, então libertados, como forma de agradecer ao Menino Jesus e à Santa Rita pela graça alcançada. O conjunto é formado, além da igreja, por um consistório, sacristia, cemitério e jardim interno. Atualmente funciona no local um dos melhores museus da cidade, o Museu de Arte Sacra de Paraty, que tem belas imagens sacras e utensílios religiosos em prata. Ao lado, um sobrado típico de Paraty.

 

Ruas como a da imagem ao lado oferecem uma imagem típica de Paraty. Mas, dependendo da época do ano de sua visita, é possível que as coisas não estejam assim tão calmas e você tenha que dividir estes lugares com centenas de outras pessoas. Sim, em temporadas turísticas todo mundo parece querer vir para cá, inclusive muitos alemães, franceses e americanos, encontrados sempre às dúzias, em praticamente todos os recantos da cidade. Entre os prédios históricos mais famosos da cidade estão o Sobrado dos Bonecos, construção do século 19 com lampiões de vidro e ferro, que ganhou este nome graças às estátuas que adornavam sua fachada, semelhantes à bonecos de brinquedo. O prédio está situado na rua do Comércio. 

Vídeo: Centro Histórico

Engana-se quem pensa que os atrativos de Paraty se limitam ao centro histórico. No cais costumam estar ancorados dezenas de embarcações, oferecendo desde passeios rápidos pela redondezas até roteiros de várias horas, percorrendo a baía e as ilhas próximas. Quase todos os passeios de escuna incluem as ilhas Compridas, ilha da Pescaria e Praia Vermelha, com direito a paradas para mergulho, assim é recomendável ir com roupa de banho e não esquecer de levar o protetor solar. Bilhetes podem ser comprados nas próprias pousadas ou no cais, o que freqüentemente acaba saindo até mais barato, além de permitir a você escolher a escuna de sua simpatia.

Vídeo: Pier

A maioria das escunas turísticas oferece lanches e bebidas durante o passeio, que devem ser pagos à parte. Quem quiser visitar as ilhas por conta própria também tem a alternativa de alugar um barco menor, acertando com a tripulação o roteiro e o preço, o que lhe permite personalizar seu passeio, visitando por exemplo a ilha Pelada Pequena, que, ao contrário do que sugere o nome, não é um campo de nudistas, mas dispõe de belas praias e pequenos restaurantes com comida típica, além de ficar fora do roteiro básico das escunas, o que pode ser uma vantagem nas épocas de muito movimento turístico.

Mesmo quem preferir conhecer os arredores por terra firme vai encontrar belas praias, como a do Cachadaço (a mais visitada), e também as praias do Meio, de Fora, Cepilho, Brava e Laranjeiras com distâncias variando entre 20 a 30 quilômetros do centro. Nem todos os acessos são bem pavimentados, e para chegar em algumas é necessário percorrer trilhas. Procure se informar com antecedência sobre o acesso a cada uma delas.

Percorrer Paraty é muito fácil, já que a cidade, além de pequena, tem ruas construídas perpendicularmente entre si, permitindo ir por uma e voltar por outra e depois a mesma coisa mais para lá e assim por diante. Tome como referência a rua do Comércio, rua Samuel Costa, e rua da Ferraria, consideradas as principais 'avenidas' do centro histórico.

Ao lado uma rua típica de Paraty, onde se pode ver a pavimentação com pedras Pé de Moleque. Contam que o nome tem origem numa história curiosa. Como os moleques tinham por hábito roubar doces dos comerciantes locais, um português camarada chegou para a garotada e disse: Quando você quiser comer um doce, não precisa pegar e sair correndo, você pede que eu te dou, viu? Pede Moleque! 

Vídeo: Centro Histórico

Caminhar pelas pedras pé de moleque de Paraty requer atenção para evitar escorregadas ou tropeções, mas não deixe de olhar também para os lado, pois cada porta ou janela guarda uma curiosidade ou uma atração diferente. Visite a Casa da Cultura (rua D. Geralda), que tem uma interessante exposição contando a história da cidade. De acordo com a UNESCO Paraty possui o conjunto arquitetônico mais harmonioso do século XVIII em todo o país, com suas 400 construções obedecendo ao traçado urbano estabelecido em 1720.

Visite também a igreja de Nossa Senhora das Dores (rua Fresca) construída a partir de 1800 por mulheres e a igreja de Nossa Senhora do Rosário (rua do Comércio), que servia com igreja dos escravos. E não esqueça a Igreja Matriz (praça da Matriz), que está sendo reformada.

Com tantas igrejas numa localidade tão pequena é inegável a pergunta: Mas tinha tanta gente assim para rezar? No que fomos lembrados que antigamente existiam igrejas para brancos, pretos, pardos, homens livres e escravos, e que geralmente não era permitido freqüentar a igreja "errada". Bem ao lado da Matriz vale a pena visitar o Margarida Café, mistura de restaurante com sala de shows ao vivo e faz muito sucesso entre locais e turistas. Ou então vá até o Bar do Lúcio, também na praça da Matriz, onde costumam ser apresentadas exposições de artistas locais.

A namoradeira na janela é um dos produtos típicos do artesanato local. Mas o produto típico mais renomado de Paraty é mesmo sua cachaça. A origem vem do período escravagista, quando a bebida era consumida principalmente pelos negros escravos. Com o tempo a produção da pinga foi crescendo, ajudada pelas condições ideais do solo e pela natureza topográfica de Paraty, que facilitam o plantio e irrigação da cana de açúcar. Durante o período colonial a cidade chegou a conquistar o título de principal produtora da famosa aguardente. Com o passar dos anos o sucesso da bebida produzida foi tão grande e seu consumo aumentou tanto que passou a fazer concorrência com o vinho português, incomodando os colonizadores. Mas não havia jeito, a cachaça de Paraty já havia caído no gosto de todas as camadas sociais, e daí para a frente sua história de sucesso iria aumentar cada vez mais.

Outros produtos típicos incluem diversos tipos de artesanato em madeira e tecido, figuras de pano, imagens de figuras características (como a namoradeira da imagem ao lado), miniaturas diversas e artigos para decoração caseira. Dependendo do dia da semana, na área junto à praça da igreja Matriz costuma ser montada uma feira de artesanato, oferecendo desde doces típicos até frutos do mar e claro, uma variedade enorme de pingas.

 

Outras construções históricas que merecem ser visitadas são a Santa Casa de Misericórdia, construção de 1822 erguida para funcionar como hospital e a Câmara Municipal, que guarda móveis históricos maçons. Ao lado, fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, construção de 1725, destinada a receber os escravos crentes. Em novembro aqui é celebrada a Festa dos Santos, com procissão e celebrações tradicionais.

O nome da cidade tem origem indígena. Foram eles os primeiros pescadores por aqui, e costumavam se referir a esta região pelo mesmo nome de um peixe muito encontrado em seus rios, o Parati. Muito mais tarde, sob a influência dos religiosos portugueses, o nome passaria a ser escrito com Y. Ainda hoje muita gente fica em dúvida se a grafia correta do nome da cidade é Paraty ou Parati, mas, de acordo com estudiosos lingüistas, a grafia correta é mesmo com Y, ou seja, Paraty.

Escolher onde fazer uma refeição em Paraty é ao mesmo tempo fácil e difícil. Fácil porque são tantos os restaurantes que nunca se está a mais de cinco minutos de caminhada de algum deles. Difícil porque a variedade é tão grande que a gente nunca sabe qual vai experimentar primeiro.

Também é freqüente encontrar celebridades da televisão e cinema pelas ruas ou nos restaurantes. Devido ao aspecto tipicamente colonial, a cidade é sempre lembrada como locação de filmes de época. Diversos artistas globais estão sempre por aqui, e alguns tem até mesmo casa própria em Paraty. Até mesmo Tom Cruise, Jim Carrey e Mick Jagger já andaram por aqui.

Depois do almoço visite também o Sobrado do Príncipe, que como informa o nome pertenceu à família real e o Mercado do Peixe, onde ainda o melhor lugar da cidade para encontrar peixes, camarões e diversos frutos do mar, todos eles recém pescados.

 

Se o bairro histórico parece preservar o passado com fidelidade absoluta, Paraty tem pousadas com todas as comodidades do século 21. A cidade é cortada ao meio pelo rio Perequê-Açu. De um lado situam-se o centro histórico, junto ao mar e um pouco mais atrás os bairros de comercio tradicional. Na outra margem estão os bairros de Pontal, Caborê e Jabaquara. As melhores pousadas da cidade estão localizadas junto ao rio, e de praticamente todas, uma caminhada até o centro histórico não leva mais que alguns minutos. Quem preferir pode se hospedar também nas pousadas situadas no centro histórico, mas é bom saber que em muitas delas você terá que chegar a pé, já que o trânsito de veículos não é permitido naquela região.

Vídeo: Pousada do Corsário

 

O evento mais famoso da cidade é a feira literária, conhecida como Flip (Feira Literária Internacional de Paraty). Durante este período, geralmente no mês de julho, escritores, cronistas, intelectuais e personalidades da área literária vem para cá e a cidade vira uma festa. Outro evento importante na cidade é a Festa do Divino, que acontece 40 dias antes do carnaval. Durante a festa os arredores da praça da Matriz ficam repletos de barraquinhas de doces e quitutes diversos, e há apresentação de bandas. Outras ocasiões em que Paraty recebe muita gente é na virada do ano e no carnaval. Nestas épocas é aconselhável fazer reserva para pousadas com bastante antecedência. 

Uma das características da pavimentação das ruas de Paraty é que todas possuem uma depressão no centro, o que na época em que foram construídas servia para facilitar que as águas do mar invadissem a cidade nas horas de maré alta. Numa época em que não existiam instalações sanitárias nem pluviais, cabia ao mar lavar as ruas e levar embora os dejetos das residências. Ainda hoje, volta e meia as ruas da cidade são invadidas pelas águas do mar.

 

Quando cai a noite Paraty se enfeita como uma moça bonita que vai pra festa e consegue ficar ainda mais linda. O jogo de luzes, sombras e cores, emoldurado pela pavimentação rústica compõem um cenário digno de pintura clássica de qualquer grande museu e nos dão a vontade de fazer parte desta obra prima e simplesmente sair caminhando pelas ruas, sem lembrar mais de nada nem pensar em voltar. Se quiser aproveitar melhor e conhecer Paraty com calma, é preferível evitar a cidade durante feriados, pois o movimento é intenso e os poucos hotéis ficam lotados. Paraty está situada ao sul do estado do Rio de Janeiro, quase na divisa com São Paulo. A estrada de acesso à cidade merece uma boa reforma, mas não deixe isto lhe desanimar pois Paraty sempre encanta seus visitantes. 

Vídeo: Centro Histório à Noite

 

A música desta página é 'Aquarela', de Toquinho. Para interromper sua execução clique em X (parar