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Prédios residenciais do bairro Batista Campos

Depois de muitas horas sobrevoando a selva amazônica, vislumbrar Belém surgindo, bela e altiva, na margem oposta do rio, é uma cena inesquecível. Belém, a Cidade das Mangueiras, a Paris na América, é um daqueles lugares que, desde a chegada nos marca para sempre. Um lugar que, ao chegar, já sabemos que nunca será esquecido. Estamos no portal de entrada da Amazônia, junto à foz do poderoso Rio Amazonas, e da Ilha de Marajó, da selva, dos rios, do açaí, castanhas, tucupi, tacacá, cupuaçú, da religiosidade do Círio, do azul celestial e do calor infernal. Belém, aqui estamos nós.

Vídeo: Aterrissagem em Belém

Belém foi fundada pelo navegador português Francisco Caldeira, em 1616. O local escolhido foi próximo à foz do rio Amazonas e à Ilha de Marajó, banhado pelas águas da Baía da Guajará e do rio Guamá. Esta situação geográfica lhe garantia acesso fácil ao mar e rios do interior brasileiro e também garantia proteção contra embarcações inimigas, bem como contra eventuais maus humores do imprevisível rio Amazonas.

O trecho histórico de Belém, conhecido como Cidade Velha, situa-se junto ao rio, no triângulo formado pela Travessa Padre Eutíquio, Av. Almirante Tamandaré e o cais e é composto por dezenas de estreitas ruas e uma infinidade de casarões, igrejas, catedrais, becos, travessas, palácios, palacetes, formando quase um labirinto. Muitas das construções foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e podem ser visitadas, enquanto outras permanecem abandonadas ou foram ocupadas por lojas de comércio popular.

Visita obrigatória e quase sinônimo de Belém, o Mercado Ver-o-Peso tem sido considerado como o principal ponto turístico da cidade. Não é mais, já que atualmente outros locais da cidade atraem mais aos turistas do século 21. Mesmo assim, seria imperdoável visitar a cidade sem conhecer este verdadeiro mercado persa. Num ambiente popular e informal, aqui se come, bebe, compra e vende. Iguarias, pratos típicos e exóticos, lanches triviais, sorvetes, frutas raras, condimentos, carnes, pescados, mandingas e curiosidades para atrair boa sorte e afastar maus olhados e muito mais. A verdade é que o que se encontra aqui é o retrato e a alma do Pará e de sua gente. O Mercado recebeu este nome porque nele eram pesados os produtos chegados da Amazônia, para a devida cobrança de impostos a serem enviados à Coroa Portuguesa.


Mercado Ver-o-Peso e cais

A maior referência e símbolo do Mercado Ver-o-Peso continua sendo a estrutura de ferro com torres pontiagudas, pintadas de azul, inaugurada no início do século 17 junto à Baía de Guajará, local onde aportavam as embarcações com produtos típicos trazidos de toda da Amazônia. Com o tempo, surgiram ao seu redor, dezenas de barracas e tendas comercializando praticamente de tudo. Atualmente o mercado ocupa uma área de trinta e cinco mil metros quadrados, estendendo-se muito além do galpão azul, e conta com centenas de tendas, toldos, quiosques, ambulantes e comerciantes sempre solícitos para lhe ajudar a encontrar o que deseja. Procure visitar o mercado pela manhã, quando as mercadorias acabaram de chegar, estão frescas, e a variedade de produtos é maior.


Forte do Presépio

Deixando o Ver-o-Peso para trás e prosseguindo a caminhada junto às margens do rio, chega-se em dez minutos ao Forte do Presépio, nome popular do Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém. Considerado como berço da cidade, ele foi construído pelos portugueses logo após sua chegada a Belém, e tinha como função principal proteger a cidade contra as investidas inimigas, principalmente por parte de franceses e holandeses. Suas grossas muralhas e dezenas de canhões enfileirados frente ao rio ainda hoje impressionam e em seu interior há um valioso acervo de arte marajoara e tapajônica, características da região. Graças ao cenário privilegiado, frente ao rio, os gramados do forte são um dos pontos preferidos da cidade para fotografias de noivas e eventos importantes.

Após visitar o forte, não deixe de percorrer o pequeno trecho da Ladeira do Castelo, como é conhecida a primeira rua construída em Belém,situada bem ao lado do forte, ligando o Praça da Sé à Feira do Açaí.

Não estranhe se ouvir alguém se referir a esta cidade como 'Feliz Lusitânia'. Este era o nome pelo qual os colonizadores portugueses se referiam ao primeiro núcleo colonial da cidade, o qual ainda hoje é usado para designar o que pode ser considerado como a Jóia da Coroa de Belém. Situado em plena Cidade Velha, o Complexo Feliz Lusitânia compreende alguns dos principais monumentos locais, como o Forte do Presépio (imagem acima), Praça Dom Frei Caetano, Casa das Onze Janelas, Museu de Arte Sacra, Catedral Metropolitana e Ladeira do Castelo, e o melhor de tudo é que estão todos muito próximos um do outro, o que facilita muito a visitação.

Como uma cidade extremamente quente, com aquele calor úmido típico da selva amazônica, as árvores de Belém não são apenas decorativas, mas fornecem a sombra essencial para ajudar a enfrentar o seu clima e mangueiras podem ser vistas em praticamente qualquer lugar da cidade. A temperatura mais baixa já registrada em Belém foi de 18,5 graus, em 1984, e ao que consta, acabou com o estoque de casacos do comércio local.

A avenida Nazaré, generosamente arborizada, é uma das vias mais importantes da cidade. Cortando o bairro de mesmo nome, a avenida situa-se num dos melhores bairros de Belém, com boas residências e opções comerciais. Aqui situam-se também diversas construções históricas originárias da época áurea do Ciclo da borracha, como o Palacete Augusto Montenegro, Palacete Bolonha, Colégio Marista, Clube do Remo, Conservatório Carlos Gomes e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Chuvas são abundantes durante todo o ano, praticamente todos os dias e os belenenses costumam dizer que o ano aqui tem duas estações, uma em que chove muito durante pouco tempo e outra em que chove pouco durante muito tempo. Mas chover mesmo sempre chove, tornando famosa aquela antiga piadinha que diz que em Belém as pessoas marcam os encontros para 'antes ou depois da chuva'


Avenida Nazaré

Vídeo: Sobrevoando a Amazônia / Aproximação para Belém.


Casa das Onze Janelas

A Casa das Onze Janelas, uma das construções mais importantes da cidade, foi construída durante o século 18 e serviu como residência de Domingos da Costa Bacelar, destacado proprietário de engenhos da região. Em 1768 o imóvel foi comprado pelo governo do Grão-Pará (como na época era denominada a capitania portuguesa que integrava os atuais estado do Pará e Maranhão) e passou a abrigar o Hospital Real, o qual funcionou até 1870. Após ter deixado de abrigar um hospital, o imóvel desempenhou diversas outra funções, sempre sob o comando do exército, até que em 2001 o governo estadual assinou um convênio com o exército, que incluía também o Forte do Presépio, fazendo com que os mesmos deixassem de desempenhar funções militares e fossem abertos ao turismo. Na Casa das Onze Janelas pode ser apreciado um belo acervo cultural, com obras de artistas como Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Lasar Segall.

Durante o chamado 'Ciclo da Borracha', quando o látex extraído das seringueiras amazônicas (na época não existia borracha sintética) era considerado  quase como ouro líquido e essencial à indústria, principalmente à automobilística, Belém foi muito beneficiada pela exportação desta commoditiy, e grandes fortunas foram feitas. Palacetes, mansões foram construídas pela famílias mais abastadas da cidade, enquanto importantes obras eram executadas, todas com arquitetura inspirada nos padrões europeus, o que deu à capital do Pará, na época, o apelido de Paris na América. Datam deste período a construção do Palácio Lauro Sodré, Theatro da Paz, Palácio Antônio Lemos e a estrutura metálica que iria se tornar o símbolo do Mercado Ver-o-Peso.

Tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Se o Mercado Ver-o-Peso representa a Belém histórica, do comércio de rua e popular, o 'Complexo Estação das Docas', situado a somente dez minutos de caminhada, é o símbolo da Belém moderna, fashion e elegante. Num ambiente formado por diversos galpões amplos e confortavelmente refrigerados, estão alguns dos melhores restaurantes da cidade, bares temáticos, sorveterias tentadoras, e uma infinidade de lojinhas oferecendo peças de artesanato, e centros de moda e cultura. Aberta durante todo o dia, mas a partir do fim da tarde e até meia noite, a Estação das Docas é o lugar certo para uma programa agradável.


Estação das Docas

Emoldurando o cenário da Estação das Docas ainda estão presentes os históricos guindastes amarelos, construídos há cem anos, e que na época tinham a função de descarregar os produtos das embarcações que chegavam a Belém. O complexo foi inaugurado no ano 200, e é um excelente exemplo do que um programa de revitalização portuária pode fazer por uma cidade, transformando uma região antes degradada em agradável pólo cultural, gastronômico e turístico.


Mangal das Garças

Outro local bonito e que atrai muitos turistas é Mangal das Garças. Administrado pela marinha, este complexo à beira rio, foi construído num trecho  de uma área revitalizada de quarenta quilômetros quadrados, e reproduz em escala reduzida algumas das diversas regiões geográficas paraenses, bem como sua flora e fauna características. Fazem parte do complexo diversas construções, passarelas, viveiro de pássaros, um farol e um bom restaurante. Tudo às margens da Baía de Guajará.

 

No Mangal das Garças podem ser também apreciadas tartarugas, garças e araras, ao longo de trilhas cercadas por árvores e lagos. Não deixe de pegar o elevador e subir até o mirante situado no alto da torre de quarenta e sete metros de altura, para usufruir de uma vista incomparável da cidade, e no lado oposto, um visual deslumbrante de rios e matas, a perder de vista. O Mangal das Garças está situado no início da Av. Almte. Tamandaré, a pouca distância do centro histórico, mas, quem não conhece bem a região, pode se perder tentando chegar lá, por isso não é aconselhável ir a pé. Prefira pegar um táxi.


Farol do Mangal das Garças

Falando em taxis, Belém é uma das capitais brasileiras onde os taxis são mais caros, mesmo assim, considerando que o transporte público na cidade não é de qualidade e que os ônibus não tem ar condicionado - um pecado quase capital numa cidade tão quente - vale a pena pagar um pouco mais pelo conforto e rapidez. Vale ressaltar também que o trânsito nas ruas centrais de Belém é intenso, com constantes congestionamentos nas avenidas centrais (Presidente Vargas, Gov José Malcher, Av Nazaré, Av. Serzedelo Corrêa, Tr Padre Eutíquio), durante quase todo o dia, e com poucas vagas para estacionar.


Rua da Cidade Velha

A cidade velha pode até não estar bem conservada, e pode também não ser um dos destino mais fashion, mas para quem deseja conhecer a essência de um lugar, qualquer um, é essencial mergulhar no coração destes redutos históricos, no próprio lugar onde a cidade nasceu. Os casarões e sobrados da cidade velha são autênticos sobreviventes da Belém do ciclo da borracha, quando o dinheiro entrava fácil pelo porto. Na época eram ocupadas por ricos comerciantes, mas hoje em dia foram tomadas principalmente por pequenas lojas, escritórios, igrejas e bancos e não ostentam mais os indícios da fortuna que a borracha trouxe a Belém. Mesmo assim, preservam um passado valioso e repleto de histórias.

Ao percorrer a cidade velha, não repare em eventuais calçadas quebradas ou em prédios com fachadas mal conservadas, ou mesmo com nos camelôs e suas barraquinhas, que tornam difícil caminhar em algumas trechos, o importante é mergulhar de cabeça, se misturar com a multidão, fuçar o comércio popular, entrar nas lojas, se divertir com os sotaques, experimentar um prato típico, quem sabe um tacacá (caldo temperado, preparado com a goma da mandioca, camarão, jambú e temperado com pimenta, servido em cuias e preparado pelas típicas tacacazeiras), ou uma cremosa musse de cupuaçu (preparada com a deliciosa fruta típica, leite condensado e açúcar), encontrados com facilidade pelas ruas, em carrocinhas ou tendas.

O Bosque Rodrigues Alves, um pouco afastado do centro, é um daqueles lugares que tem que ser visitado, pois fornece uma visão autêntica da mata amazônica, sem precisar sair de Belém. Com uma área de dezesseis hectares e mais de duas mil e quinhentas espécies nativas da região, o parque foi idealizado em 1883, pelo Barão de Marajó, então governador da Província do Pará, que teve como inspiração o parque Bois de Bologne, em Paris. São mais de oitenta mil espécies de plantas, cinco mil árvores de diversas famílias botânicas, lagos, passarelas, quiosques, um castelo e, além de tudo, uma temperatura agradável durante todo o dia. Aqui estão Maçarandubas, Acariquaras e até as famosas Seringueiras, de onde a borracha é extraída. Ao contrário do que alguns pensam, estas árvores não foram plantadas para formar um bosque, e na verdade já estavam todas aqui antes da cidade surgir. Graças ao Barão de Marajó foram preservadas e protegidas da urbanização.


Bosque Rodrigues Alves

 


Basíica de Nazaré

A Basílica de Nossa Senhora de Nazaré é considerada o maior símbolo religioso de Belém. Inaugurada em 1909, no mesmo lugar onde havia um templo menor, o qual, foi erguido no mesmo lugar onde havia sido encontrada uma imagem da Santa, junto a um igarapé. Esta é a única basílica da região norte, e sua importância transcende em muito sua história e arquitetura. A santa é considerada a Rainha da Amazônia, protetora de todos que moram nesta parte do país, e a fé dos paraenses em sua santa é total e absoluta, provavelmente sem igual em outras regiões do Brasil e dificilmente superada em outros lugares do mundo. A igreja é uma das maiores e mais belas de Belém, construída em estilo neoclássico e considerada um dos grandes patrimônios da cidade.

Durante a grande festa religiosa conhecida como 'Círio de Nazaré' a igreja atrai multidões que enchem as ruas e lotam os hotéis. A origem da festa remonta à região de Nazaré da Galiléia (atual Israel), onde Jesus viveu os primeiros trinta anos de sua vida. A virgem de Nazaré é representada usualmente tendo o menino Jesus em seu colo, e através dos séculos a devoção à santa cresceu cada vez mais, enraizando-se fortemente nos países cristãos, notadamente Espanha e Portugal, sendo que estes últimos foram os responsáveis por trazer para o Brasil o culto à Virgem de Nazaré.

O termo ‘Círio’ deriva da palavra latina Cereus, que era empregada para designar grandes velas, usadas em procissões. Portanto, a expressão Círio de Nazaré começou a ser usada para designar as primeiras procissões feitas à luz de velas em homenagem à Virgem, que em Belém, tiveram início em 1793. Atualmente o Círio de Nazaré é considerada a maior procissão religiosa do Brasil, e uma das maiores do mundo, levando às ruas entre dois e três milhões de pessoas, que fazem o percurso da Catedral até a Basílica. A cerimônia é realizada todos os anos, no segundo domingo de outubro.

No entanto, a grande procissão é somente o momento mais conhecido da festa, porque na verdade os eventos se estendem por quinze dias, durante a chamada Quadra Nazarena, e onde se destacam também a Cerimônia do Translado (percurso da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, da Basílica de Nazaré, pelas ruas da cidade, até a igreja matriz, no município de Ananindeua, município vizinho a Belém), Romaria Rodoviária (partida da imagem para a Vila de Icoaraci, distrito de Belém), Romaria Fluvial (procissão durante a qual a imagem é conduzida pela Baía de Guajará), Moto-Romaria (procissão formada por motociclistas, por diversas ruas da cidade), Trasladação (procissão à luz de velas, onde somente a berlinda – veiculo que conduz a santa – é levada até a Catedral de Belém) e finalmente, a grande procissão do Círio de Nazaré, que pode durar quase dez horas e é acompanhada por milhões de fiéis. Durante a procissão, um dos lugares mais disputados, e que exige maior esforço físico dos participantes, é ocupado pelos que ajudam a puxar a corda de quatrocentos metros de comprimento, que pesa setecentos quilos. Esta corda é considerada o sustento da fé dos paraenses na própria Santa, e ajudar a carregá-la é uma forma de fazer um pedido ou agradecer uma graça alcançada.

Independente da fé da cada um, o Círio de Nazaré é uma experiência religiosa e cultural emocionante, e que dificilmente será superada ou esquecida por quem dela participar.

A Praça Siqueira Campos, também conhecida como Praça do Relógio, situada na Cidade Velha, homenageia o famoso revolucionário que participou do movimento dos 'Dezoito do Forte', em Copacabana, RJ e autor da frase “À Pátria tudo se deve dar, nada se deve esperar, nem mesmo compreensão". O relógio foi encomendado à firma inglesa Walters Macfarlaine, e pelo especificado, deveria estar situado sobre uma torre de ferro trabalhado com doze metros de altura, possuir decoração indicando os quatro pontos cardeais e medalhões simbolizando as estações do ano. Deveria também possuir um mostrador iluminado e emitir um som característico três vezes por dia, pontualmente às 8, 12 e 18 horas. Uma grande festa marcou sua inauguração, em 1930, e desde então, o grande relógio continua servindo como referência para muitos belenenses que trabalham ou passam por esta praça e muitos aqui se referem a ele como o 'Big Ben de Belém'.


Praça do Relógio

 


Catedral da Sé / Catedral Metropolitana

A Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como Catedral da Sé, situa-se na área conhecida como Feliz Lusitânia e foi construída entre 1748 e 1782. Parte dos serviços foram gerenciados pelo arquiteto italiano Antônio Landi, também responsável por diversos outros projetos na capital. A catedral é peça importante nas comemorações do Círio de Nazaré, e a grande procissão que encerra os festejos tem início em seu pórtico. Colaborou com o projeto de arquitetura o renomado arquiteto italiano Antônio José Landi, criador da fachada com duas grande torres. Posteriormente, em 1772, foram posicionados os relógios, trazidos da Europa. São famosas as belas telas que decoram os dez altares laterais, obra de artistas europeus diversos. Famosos também são os vinte e oito candelabros de bronze, os vitrais ricamente trabalhados e o órgão do século XIX, importado da França. Todos estes tesouros fazem da Catedral da Sé uma das grandes preciosidades históricas e religiosas de Belém.

 

Fundado em 1866 pelo naturalista Domingos Penna, o Museu Paraense deve sua plena formação ao zoólogo suíço Emilio Goeldi, a partir de 1895. Descobrimos este local por acaso, ao percorrer a avenida Governador Magalhães Barata e ver, por trás de um muro com grade de ferro, uma área verde que emanava uma evidente sensação de paz e sossego, lembrando talvez um pedacinho do paraíso. Como resistir a entrar? Foi preciso esperar um pouquinho para a bilheteria abrir (o moço atrasou, mas já está vindo...), mas valeu. Caminhando pelas tranqüilas alamedas de seus mais de cinco hectares de área, sob a sombra de árvores seculares, junto à espécies animais ameaçadas de extinção (peixe-boi, onça pintada, ararajuba), e muitas outras (cutias, preguiças, guarás) visitando seus simpáticos chalés e lagos a sensação que tivemos é que não estávamos numa grande cidade, mas em outro lugar qualquer, longe de tudo e dominado por uma paz celestial. Não deixe de visitar.  


Museu Paraense Emílio Goeldi

 


Praça da República e Av. Presidente Vargas

Ao lado, uma imagem da Praça da República, agradável área verde no coração de Belém. Paralela a esta praça corre a Avenida Getúlio Vargas, principal artéria comercial da cidade, sempre com transito intenso, e onde situam-se as grandes lojas. Até o ano de 1889 a Praça de República chamava-se Pedro II, em homenagem ao imperador, mas após a proclamação da república, seu nome foi modificado. No centro, um monumento com vinte metros de altura, construído em mármore homenageia a república, representada na forma de uma mulher com um ramo de oliveira na mão, em referência à paz. O monumento foi inaugurado em 1897 e ainda hoje é o mais importante da cidade. Junto com o Teatro da Paz, o conjunto é o ponto mais central de Belém, ponto nevrálgico da cidade, rodeada pelo trânsito, pedestres, comércio, o verdadeiro coração pulsante da cidade.

O bairro de Batista Campos é considerado um dos bairros nobres da capital e abriga a Praça Batista Campos, considerada a mais bonita da cidade. Dentro deste retângulo verde que ainda preserva um certo charme europeu, estão jardins, lagos, coretos e imensas e centenárias Samaumeiras. O quê? Não conhece as samaumeiras? Pois então basta lembrar do filme Avatar e daquela árvore sagrada do povo Navi. Pois é, a Samaumeira é a árvore sagrada da Amazônia. E isto não é ficção.

Chamada de Rainha da Amazônia, a Samaumeira é uma árvore gigante, que pode atingir setenta metros de altura, e tem como característica mais marcante os toros de raiz descobertos, acima da superfície do terreno. Sua copa fornece uma sobra generosa, graças a seus galhos horizontais longos e abundantes. Ela fornece também água, procurada por quem está na floresta longe de outras fontes. Suas sementes fornecem um óleo de sabor agradável e comestível. A paina que envolve as sementes é utilizada para produzir colchões e estofados. O movimento de água dentro de seu tronco produz um ruído característico, que pode ser ouvido de longe e tem servido para os povos da floresta se comunicarem. A água da Samaumeira ou o chá da sua casca tem fama de serem remédios poderosos para várias moléstias. E fornece abrigo para pequenos animais em perigo, como sagüis e preguiça, que ao serem atacados se protegem em seus galhos. A Samaumeira é, na região amazônica, o símbolo da vida.

O imponente prédio do Theatro da Paz, além de ser um dos principais símbolos arquitetônicos de Belém, é também um testemunho da riqueza e da força que o Ciclo da Borracha trouxe ao estado do Pará. É um dos maiores e mais luxuosos do país, foi construído graças aos recursos obtidos com a extração do látex das seringueiras, entre 1869 e 1874, e com seu estilo neoclássico, é o destaque principal do centro da cidade, no coração da Praça da República. Foi inaugurado em 1878, e o autor do projeto foi o engenheiro pernambucano José Magalhães. Em 1904, o teatro passou por uma grande reforma em sua fachada, constando da remoção de elementos arquitetônicos e colocação de bustos representando as figuras clássicas da dança, poesia, tragédia e da música, tendo ao centro o brasão de armas do estado do Pará.


Theatro da Paz

 


Cerâmica Marajoara

Os Marajoara eram um grupo indígena que habitava a região que atualmente corresponde à ilha de Marajó, durante o período compreendido entre os anos 400 e 1400. Eram exímios artistas e suas elaboradas peças cerâmicas, delicadamente decoradas e pintadas, quase sempre caracterizada pelo uso das cores vermelha e preta sobre fundo branco tornaram-se famosas. Sua arte cerâmica incluía a confecção de vasilhas, potes, urnas, estatuetas, vasos e pratos, entre outras e apresentavam grande variedade de padrões decorativos, tais como linhas geométricas, animais característicos da selva e figuras humanas. A civilização Marajoara somente tornou-se conhecida a partir de meados do século XX, quando pesquisadores e arqueólogos encontraram diversos objetos cerâmicos em bom estado de conservação, o que deu início a uma pesquisa aprofundada sobre estas civilizações e sua arte.

O distrito de Icoaraci, região ao norte de Belém, concentra a maior parte dos produtores de cerâmica, distribuídos em diversas olarias e oficinas. Em diversos outros locais de Belém também é possível encontrar-se grande quantidade de potes, urnas e jarras em cerâmica, todas inspiradas no estilo original Marajoaras. O preço das peças varia em função do estilo, das dimensões e também em função do local de venda.

A imponente mansão pintada de branco, conhecida como Parque da Residência serviu, a partir de 1934, como residência oficial dos governadores do Pará. Situado na Avenida Nazaré, o complexo possui, além do próprio palacete, diversas alamedas gramadas e outras construções que podem ser visitadas, como a Estação Gasômetro, grande estrutura metálica que pertenceu à Companhia de Gás do Pará, agora transformada em espaço cultural e teatro. Em frente à mesma, um antigo e bem conservado vagão de trem da estrada de ferro Belém-Bragança, fornece um toque nostálgico ao ambiente. Muito freqüentado por estudantes, o Parque da Residência é um bom refúgio para saborear um sorvete da sorveteria Cairú ou uma boa refeição no elegante 'Restô do Parque', ou ainda simplesmente curtir a sombra de suas centenárias árvores num ambiente que remete à belle époque parisiense.


Parque da Residência

Belém tem diversos shoppings, o Patio Belém ( o primeiro da cidade, no centro), Boulevard Belém (também na região central), Parque Shopping (região norte, próximo ao aeroporto internacional) e Castanheiras Shopping (também na região norte). Como uma cidade que nasceu e cresceu principalmente à beira rio, o centro da cidade está saturado pelo trânsito e por construções mais antigas e históricas, e a tendência da cidade tem sido crescer em direção à região norte, onde tem surgido grandes e novos empreendimentos comerciais.


Garrafadas do Ver-o-Peso

Garrafadas com nomes criativos como Chega-te a Mim, Não me Larga, Amansa Corno, Atrai Fortuna, Afasta Olho Grosso e muito mais. Poções quase mágicas, que de acordo com quem as fabrica, tem eficácia garantida para trazer fortuna e curar qualquer mal do corpo ou da alma. A fórmula original das garrafadas é apenas parcialmente informada, já que alguns ingredientes responsáveis pela eficácia do produto são considerados quase como um segredo de estado, e seus nomes são passados de pai para filho através dos anos. Uma garrafada colorida pode conter uma mistura composta por mais de vinte folhas e raízes diferentes, tais como catuaba e marapuama. Mas também é possível comprar ervas e raízes ao natural, e preparar chás com poderes medicinais. Nos mercados, as 'erveiras', como são conhecidas as mulheres que preparam e vendem o produto, fornecem aos compradores as informações necessárias, inclusive explicando como deve ser ingerido e quantas vezes por dia, mas avisam também que, como com qualquer outra coisa, é preciso ter fé no produto para que ele faça efeito.

A lista de produtos exóticos, curiosos, saborosos, divertidos, intrigantes, apetitosos, convidativos, atraentes, imperdíveis e duvidosos, disponíveis nos mercados da cidade, vai muito além das garrafadas e ervas, e inclui também uma incrível variedade de frutas da região, peixes, farinhas, comidinhas, folheados, carnes, bebidas, refrescos, cestos de açaí, cupuaçu, graviola, açaí, pupunha, tucumã, ingá, abricó, jaca, tamarindo, carambola, biribá, bacuri, ingá, murici, ginja e muito mais. As frutas, acondicionadas em caixas e vendidas a quilo, tem bons preços e são disputadas por moradores da cidade e do interior, turistas e donos e cozinheiros de restaurantes e bares.

Odores e sabores se misturam enquanto a gente caminha de uma barraca para outra, e as sacas, caixas e isopores com gelo se sucedem em profusão, revelando uma variedade inacreditável de produtos, como camarões, artesanatos, artigos religiosos, pomada de gordura de tartaruga, essências, óleos, chás...  Ao mesmo tempo, enquanto as erveiras comercializam as ervas, as boeiras comercializam a bóia, ou seja, a refeição do dia. Em cerca de duzentos boxes diferentes, dispostos lado a lado, alguns com banquinhos em frente ao balcão, outros sem lugar para sentar, centenas de refeições são servidas todos os dias, onde a farinha é sempre um ingrediente essencial. Das muitas farinhas retiradas da mandioca, a preferida é a Farinha d'Água.

Descrito como o maior mercado a céu aberto do hemisfério sul, o Ver-o-Peso conta com mil e trezentas barracas, distribuídas em vinte setores, oferecendo desde produtos hortifrutigranjeiros, importados, mercearia, refeições peixe seco, artesanato, ervas medicinais, mas principalmente, uma aventura única pelos aromas e sabores da Amazônia.

Outro mercado importante da cidade, embora menos conhecido que o Ver-o-Peso, e também menos freqüentado é o Mercado de São Braz, inaugurado em 1911. Obra do engenheiro Filinto Santoro, foi construído mesclando estilos art noveau e neoclássico, em plena época que Belém era o principal porto da região norte, durante o ciclo da borracha. O Imponente portal de acesso, decorados com cabeças de bois em ambos os lados, dão as boas vindas aos visitantes, há mais de cem anos. Atualmente, o mercado pode ser descrito como a cara da cidade, e é freqüentado principalmente por moradores locais, que aqui vem à procura de praticamente qualquer coisa. Roupas, mobílias, objetos de decoração, discos de vinil, CDs, artigos religiosos, ervas, camarões, frutas, corte de cabelos, cópias de chaves e até uma petshop.

Nos fundos do mercado, lado oposto à Av Almirante Barroso, há um outro mercado, ainda mais informal, com diversas bancas e quiosques, e onde muita gente que trabalha nas redondezas vem fazer suas refeições.

Não deixe de visitar a ótima loja de artesanato situada na fachada principal do Mercado de São Braz, que conta com uma grande variedade de peças de cerâmica Marajoara, entre outras preciosidades. E como este mercado não é exatamente um endereço turístico, os preços aqui são bem melhores que em outros pontos mais concorridos da cidade.


Mercado de São Braz

Quanto à gastronomia local, ninguém pode vir a Belém e não experimentar algumas iguarias típicas. Abaixo estão algumas sugestões:

Pato no tucupi: Preparado com carne de pato, tucupi (caldo amarelo extraído da mandioca) e jambú. Servido com arroz e  farinha de mandioca.
Tacacá: Preparado com goma de mandioca, camarão, jambú e temperado com pimenta. Servido em cuias.
Maniçoba: Preparada com a folha da maniva (folha da mandioca) moída, e carne seca, toucinho, costelas de porco, chouriço, lingüiça e paio, servida acompanhada de arroz, farinha d'água e pimenta.
Caruru: Preparado com quiabo, camarões, alfavaca, chicória, farinha e azeite de dendê.
Vatapá Paraense:  Preparado com camarão, alfavaca, chicória, alho, leite de coco puro e azeite de dendê.
Chibé: Preparada com  farinha de mandioca e água, tem fama de ser muito nutritivo.

Peixes: Numa cidade banhada por um rio tão caudaloso e ao mesmo tempo tão próxima ao mar, a relação de pratos preparados com peixes seria muito longa, mas entre os mais requisitados estão o Pirarucu, Tucunaré. Gurijuba. Mapará, Aracu e Tambaqui. Tartarugas também dão um prato muito apreciado por aqui.

A relação de frutas típicas também seria interminável, mas na frente de todas não há como esquecer o Açaí, fruta preferida por dez entre dez paraenses. Seja branco ou roxo, ele está presente no café da manhã, almoço e jantar, servido de várias formas, ao natural ou como acompanhamento de outros pratos, com farinha de mandioca ou de tapioca, junto à peixes, camarões, carne de sol, e também no preparo de sucos e sorvetes. Outras frutas da região, consumidas ao natural ou utilizadas como ingrediente de sorvetes, sucos, compotas ou no acompanhamento de pratos diversos são o Cupuaí, Ajuru, Bacurí, Caju, Camu-Camu, Graviola, Carambola, Biribá e Cupuaçu.

E seria impossível esquecer daquela que é considerada um dos símbolos desta região, a Castanha do Pará, apreciada em todo o país e também no exterior, encontrada em lojas de finas iguarias de diversos países sob o nome de Brazil Nut.


Praia da ilha de Marajó

Quem tiver dois dias disponíveis não deve perder a oportunidade de fazer um passeio inesquecível e visitar Marajó. Esta ilha, maior que muitos países, é na verdade a mais famosa do arquipélago - o maior fluvio-marítimo do planeta - formado por cerca de três mil ilhas de diversos tamanhos. Marajó encanta os visitantes pelo cenário natural, formado por matas, campos, coqueiros, mangueiras, manadas de búfalos, e praias. Nada aqui parece tomar conhecimento que estamos no século 21. O turismo em Marajó mescla pousadas, hotéis fazendas, vilas de pescadores, uma cultura própria, formada por danças e ritmos únicos, deliciosos queijos de búfala, uma vista privilegiada do trecho onde o rio Amazonas se transforma em oceano, e muita natureza e espaços amplos para curtir.

O transporte de carros de Belém até a llha de Marajó é feito por balsas, e o terminal de embarque situa-se cerca de vinte quilômetros ao norte da cidade, no município de Icoaraci. De lá zarpam as embarcações que conduzem moradores e turistas - a pé ou em seus veículos próprios - até a outra margem do rio Amazonas, num trajeto de aproximadamente três horas de duração, e que termina no porto de Salvaterra, porta de entrada da imensa ilha de Marajó. Geralmente há duas saídas de Icoaraci para Salvaterra por dia, de manhã cedo e no início da tarde e aos domingos somente uma, mas é bom conferir antes de planejar seu passeio. E quem não estiver de carro nem precisa ir até o terminal de Icoaraci e pode embarcar no próprio terminal hidroviário de Belém.

Além de Salvaterra, outra localidade muito visitada em Marajó é Soure, situada em frente à Salvaterra, na margem oposta de um dos rios que cortam Marajó e deságuam no Amazonas. A estrada PA-154, com cerca de quarenta quilômetros de extensão, une as pequenas localidades situadas ao longo da costa leste de Marajó, e vai até Cajuuna, no extremo norte, situada bem próximo à foz do Amazonas, junto a magníficos bancos de areia. Imperdíveis são as praias do Pesqueiro, em Soure e a Praia de Jones, situada a quinze quilômetros de Salvaterra. Visite também a Fazenda São Jerônimo, através da qual se chega à cenográfica Praia do Cocal.

O que esperar encontrar por aqui? Residências simples, pousadas, bares em frente ao mar, restaurantes servindo pratos e frutas típicas, comidinhas, bebidinhas e música de fundo. Tudo muito rústico, simples e natural. Praias magníficas e quase desertas. Contato com a natureza em sua forma mais pura. E nem pense em usar um cartão de crédito, por aqui é tudo no dinheiro mesmo. E antes de ir não esqueça de conferir se sua vacina contra febre amarela está dentro da validade, porque, como é sabido, quem viaja para a região amazônica deve sempre tomar esta precaução.

Belém é uma cidade praticamente plana, e é fácil de ser percorrida a pé. Tomando-se como referência uma das principais avenidas da cidade – Travessa Padre Eutíquio – a qual atravessa a região central da cidade em linha reta, ligando o trecho da cidade banhado pelo rio Guamá ao trecho banhado pela Baía do Guajará, a área compreendida entre esta travessa e o rio tem cerca de cinco quilômetros quadrados, e é fácil de ser percorrida, mesmo porque praticamente toda a região teve urbanização planejada, com muitas com quadras retangulares e ruas paralelas. Ou seja, é muito difícil alguém se perder por aqui, e para se localizar e encontrar os principais pontos turísticos da cidade será suficiente levar à mão um mapinha da cidade.


Praça de República: Paço dos Namorados e Teatros

Fora da região central, destaca-se o bairro de Umarizal, que nos últimos anos tem visto surgirem diversos empreendimentos comerciais e luxuosos condomínios de luxo. Também aqui estão diversos bares, restaurantes e boates, principalmente ao longo da rua Almirante Vandenkolk. É no Umarizal que está também um dos melhores shoppings da cidade, o Boulevard Shopping

A rede hoteleira de Belém poderia ser melhor diversificada e oferecer mais quartos, pois a cidade merece. A maior parte dos bons hotéis está situada na região central, nas proximidades da Av. Comte Bráz de Aguiar, Serzedelo Correa, Av Nazaré e adjacências e encontrar um hotel satisfatório e com preço acessível poderá exigir algum esforço. Quando estivemos lá nos hospedamos no Tulip Inn Batista Campos, e ficamos satisfeitos.

O Aeroporto Internacional de Belém/ Val-de-Cans / Julio Cezar Ribeiro situa-se ao norte da cidade, a cerca de dez quilômetros do centro. Ele infelizmente não dispõe de metrô ou ônibus executivos para conduzir os viajantes que chegam ao seu destino final, por isso será necessário escolher entre ônibus urbanos comuns (pouco recomendáveis para quem chega com bagagem) ou taxis, o que é preferível, apesar do preço. É um aeroporto modernos e conta com diversos serviços úteis, além de bares e restaurantes no andar superior.


Pôr do sol na Amazônia

E ao fim de cada dia, quando o sol cumpre seu ritual de se esconder por trás das matas e rios da Amazônia, e o verde e azul se transformam em infinitos tons de dourado, é quase impossível não se deter por alguns momento à margem do rio, e ficar apenas olhando, entre extasiado e emocionado, contemplando a grandiosidade e exuberância deste lugar. Quantos pensamentos passam por nossa cabeça neste momento. Quantas cores, quanta água e quanta vida desfilam à nossa frente. Quantas pessoas simples, ganhando a vida em pequenas embarcações, enfrentando diariamente os desafios da Amazônia. Quantos olhos se voltam para a Amazônia, e para todas ruas riquezas. Como uma cidade tão imponente como Belém foi surgir numa região de acesso tão difícil. E quantas pessoas viverão para sempre, mesmo no Brasil, sem ter a noção de como este lugar é belo e impossível de esquecer.

Vídeo: Decolagem de Belém

Diversas fotos em alta resolução: Imagens de Belém

 

A música desta página é 'Peguei um Ita no Norte', de Dorival Caymmi. Para interromper sua execução pressione a tecla ESC  

 

Ita era a forma como eram conhecidos popularmente os navios que faziam a ligação entre cidades do norte e outras regiões do Brasil.
Durante a primeira metade do século XX foram os grandes responsáveis pelo transporte de pessoas e cargas entre muitas cidades brasileiras.
O termo Ita surgiu porque todas as embarcações de cabotagem da Companhia Nacional de Navegação Costeira tinham nomes
começando com estas três letras, como por exemplo, Itapé, Itapema, Itaquera, Itaúba, Itaimbé e muitas outras.

 

Peguei um Ita no norte
Pra vim pro Rio morar
Adeus meu pai, minha mãe
Adeus Belém do Pará

Ai, ai, ai, ai
Adeus Belém do Pará
Ai, ai, ai, ai
Adeus Belém do Pará

Vendi meus troços que eu tinha
O resto eu dei pra guardar
Talvez eu volte pro ano
Talvez eu fique por lá

Ai, ai, ai, ai
Adeus Belém do Pará
Ai, ai, ai, ai
Adeus Belém do Pará

 


Castanhas do Pará