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La Grande Plage / La Plage du Miramar

Foi num final de primavera com jeito de outono que chegamos a Biarritz, com temperaturas variando em torno dos 18 graus, sol brilhante, céu azul e um ventinho gelado soprando. Para nós seria impensável entrar na água nestas condições, mas para os franceses, logo vimos, as condições eram ideais. Sim, porque para um Europeu, chegar à Biarritz, badalado resort da costa oeste da França, e não molhar ao menos os pés nas águas do 'Golfe de Cascogne' seria sacrilégio. Nós deixamos para o dia seguinte. Banhos de mar à parte, Biarritz nos cativou deste o início. Um mar de águas azuis, areias macias, prédios elegantes, carrosséis, residências bem tratadas, gente animada e um astral positivo que era impossível não sentir. Era como se todos estivessem apenas esperando a festa começar. Logo percebemos que o mar era somente um pretexto. Em Biarritz o principal era mesmo o estado de espírito, ou, como dizem os franceses, l'état d'esprit.

   

E o l'état d'esprit que Biarritz transmite é super para cima. Assim tem sido há tempos, desde 1854, quando a imperatriz Eugénie de Montijo, mulher de Napoleão III, mandou erguer um palácio frente ao mar, para suas férias de verão, continuando pela rainha Victoria da Inglaterra, que também era freqüentadora assídua da cidade, Biarritz tem seu nome associado à nobreza, aos ricos e famosos. Com a inauguração de seu Cassino, em 1901, Biarritz passou a atrair também turistas de todos os cantos da Europa e até América. Depois vieram os turistas comuns, para conhecer de perto seu mar azul e o litoral mesclando areias a formações rochosas, grutas, cavernas, falésias, escadarias subindo as rochas e surpresas outras. Hoje em dia turistas não encontram por aqui muitos nobres, em compensação, além do litoral privilegiado, vão descobrir uma charmosa cidade à beira mar, com dezenas de restaurantes e bares, mulheres de topless na areia, comércio de primeira, e onde o programa principal é caminhar, explorar, curtir a natureza, o mar e as formações do litoral. E nem precisa entrar na água...


Rochedos ao sul da Grande Plage

Na primeira foto desta página vê-se a 'Grande Plage', a principal das cinco praias de Biarritz. É a mais freqüentada, e no verão costuma ficar lotada. Ela é a praia do agito, dos eventos, a preferida dos turistas, onde ocorrem as badalações e seu trecho principal, situado entre o Cassino e o famoso 'Hotel du Palais', é para onde vão aqueles que querem ver e ser vistos.


Rocher de la Vierge

Um dos pontos turísticos mais famosos de Biarritz é sua santinha construída no alto de um rochedo. Chega-se ao 'Rocher de la Vierge', um pouco afastado do litoral, através de uma passarela de madeira (substituída em 1887 por uma metálica, projetada pelo engenheiro Eiffel). Conta-se que este rochedo servia como referência aos pescadores que zarpavam do porto de Biarritz e que foi o imperador Napoleão que ordenou que fosse escavado um túnel sob o mesmo, como parte do projeto de construir um dique na cidade. Conta-se também que, num dia de tempestade, um grupo de baleeiros perdidos conseguiu voltar ao porto da cidade graças a uma luz irradiante, avistada no alto deste mesmo rochedo. Como agradecimento, a cidade decidiu instalar, no topo da rocha, uma pequena imagem da Virgem Maria, dando ao lugar o nome de Rochedo da Virgem.

 Vídeo: Rochedo da Virgem


Biarritz, claro, situa-se na França, mas ao mesmo tempo faz parte do chamado 'País Basco', região que compreende um trecho do sudoeste da França e do norte da Espanha, e que há bastante tempo vem tentando conquistar autonomia. O nome 'Biarritz' tem origem no idioma basco (o qual é completamente diferente tanto do francês quanto do espanhol). Geograficamente, a cidade situa-se na região de Pyrénées-Atlantiques, faz parte da Aquitaine e situa-se a menos de vinte quilômetros da fronteira com a Espanha. Ao contrário do trecho em território espanhol (onde o idioma basco predomina em todo lugar, e é nítido o desejo de autonomia), a sensação que tivemos no lado francês é que por aqui o pessoal pode até curtir estar em território basco, mas no fundo todo mundo prefere mesmo continuar como cidadãos franceses, e nem pensa em falar outra língua.


Região que correspondente ao País Basco

 


Um dos rochedos mais famosos da cidade

A incessante erosão das rochas, fenômeno causado pela ação do mar e dos ventos, não tem sido favorável a Biarritz. Estes elementos agem como facas cortando sem parar o litoral da cidade, e estima-se que Biarritz venha sofrendo um recuo de setenta centímetros de sua costa rochosa por ano. Isto levou o governo a adotar medidas de proteção para tentar impedir a evolução deste fenômeno, com a execução de reforços de contenção diversos, utilizando concreto projetado e outras técnicas de engenharia, mas os resultados ainda são incertos. A formação mostrada na foto ao lado é uma das mais conhecidas da cidade, situada próxima ao calçadão da Grande Plage, e pode ser acessada por uma passarela de concreto, ligando a rocha à avenida.

 

Até meados do século 18, Biarritz era somente mais uma tediosa vila de pescadores à beira mar, e foi somente após a medicina da época passar a considerar banhos de mar como eficaz terapia para uma grande variedade de moléstias, que a cidade começou a ver chegar às suas praias gente de todos os cantos da França, inicialmente os mais abastados, seguidos, mais tarde, por muitos outros. Um dos primeiros responsáveis pela transformação do balneário em lugar da moda foi o escritor Victor Hugo, que se apaixonou pelo lugar à primeira vista e referia-se a ela como 'village blanc à toits roux et à contrevents verts posé sur des croupes de gazon' (cidade branca de telhados vermelhos e venezianas verdes cobrindo colinas gramadas).


Passarela que conduz ao Rocher de la Vierge

Vale a pena conhecer: Le Marché Central (rue des Halles), onde, como em todo mercado municipal, estão peixes frescos, petiscos, frutas e outras iguarias (aberto somente até as 13 horas). Sente num dos balcões ou peça para levar.


Eglise Sainte Eugenie

Estacionar no centro de Biarritz é caro, as vagas são poucas, e parquímetros estão em todo lugar. Como estávamos de carro durante nossa visita, preferimos ficar no Novotel Biarritz Anglet Aéroport, situado a cerca de 10 minutos do centro de carro, uma região agradável, silenciosa e com estacionamento grátis. Quem procurar estacionamento no centro, provavelmente vai acabar optando por deixar o carro num dos grandes estacionamentos públicos, que sempre tem vagas, como o anexo ao Cassino, um bom ponto de partida para começar a exploração da cidade. Biarritz não teve o crescimento planejado e suas ruas seguem quase sempre em curvas, seja para a direita ou para a esquerda, subindo e descendo encostas e colinas, contornando parques e residências, passando por rotatórias, atravessando tranqüilas áreas residenciais que em nada lembram a movimentação predominante no litoral. É uma cidade onde é fácil a gente se perder, mas em compensação também é fácil se encontrar.

A praça mostrada na imagem acima, conhecida como Place Saint-Eugénie, fica a uma curta caminhada a partir do prédio do Cassino, e é um dos pontos mais importantes e agradáveis da cidade, cercada por diversos restaurantes com mesas ao ar livre (com destaque para o ótimo Café de la Mer), bares e lojinhas. Mais ao fundo, situa-se a concorrida Rue Mazagran, com dezenas de lojas, butiques, sorveterias, bares, sapatarias etc e que deve ser curtida com atenção. Um ponto recomendado para um café no meio da tarde é o Le Cafe Cafe Biarritz (Place Clemenceau 10).

A imagem ao lado mostra o lado do Cassino voltado para o mar, o calçadão e a 'Grande Plage'. Tome este local como referência para começar a explorar a cidade. Partindo daqui você tem duas opções: Seguir em direção norte (na direção do farol) ou na sul (direção ao rochedo da Virgem). Sugerimos começar pelo sul, onde o litoral é mais bonito. Logo após se afastar do Cassino, a calçada frente ao mar começa a subir, acompanhando o litoral. Pouco adiante há um belo mirante, de onde toda praia se descortina à nossa frente, bom lugar para postar uma foto. Alguns minutos a mais de caminhada levam a gente até a Place Sainte-Eugenie (referida na foto acima - bom lugar para um almoço, mais tarde).


Calçadão em frente ao Cassino

O Casino de Biarritz, inaugurado em 1901, não é somente um ponto de referência obrigatório para a cidade, mas também, para quem curte jogo, uma boa opção para tentar a sorte, seja nas mesas de pôquer, roleta ou nas máquinas caça-níquel.


Muralhas do Port de Pecheurs

Siga em frente, sempre acompanhando o litoral e logo adiante você terá duas opções de roteiro: A primeira é pegar o desvio à direita e ir direto até a Marina, onde estão barcos pesqueiros diversos, alguns iates e muitos restaurantes com mesas na calçada. Experimente a 'dégustation de fruits de mer' ou alguns ' tapas à la mode', as especialidades locais, de preferência numa mesinha ao ar livre. Depois, não deixe de percorrer as grossas muralhas de concreto - semelhantes a uma fortaleza - que servem de proteção às embarcações ancoradas na marina. É uma caminhada divertida e que rende boas fotos.

 

Se você preferiu não pegar o caminho que conduz à marina da cidade e seguiu sempre em frente vai logo ver à sua direita uma escadinha escavada na rocha. Suba esta escada, situada frente ao mar, e chegará ao alto de uma rocha com um mirante incrível, de onde se vê grande parte do litoral basco. O visual  é lindo. Por outro lado, se você preferir não enfrentar a escada siga em frente e verá um estreito túnel para veículos. Entre e atravesse o túnel a pé mesmo, todo mundo faz isso, e chegará em frente ao Rocher de la Vierge (referido acima). Pegue a passarela metálica e vá até sua extremidade, onde situa-se a rocha escavada com a imagem da santinha em sua parte superior. Ao lado, o mirante situado pouco ao sul do Cassino e algumas das rochas situadas frente à praia.

Vídeo: Trenzinho turístico de Biarritz


Musée de la Mer / Boca de Tubarão

Bem em frente ao rochedo da santinha, situa-se o principal museu da cidade, o Musée de la Mer, que merece uma visita. São quatro andares, onde estão em exposição diversos tipos de peixes, estrelas marinhas e alguns outros animais marítimos que nunca tínhamos ouvido falar. Na cobertura ficam as focas, se espreguiçando ao sol. É divertido ir lá na hora em que elas são alimentadas com peixes, o que costuma acontecer duas vezes ao dia, de manhã e de tarde. E não esqueça de fazer uma foto dentro da imensa boca de tubarão.

Uma ótima idéia para percorrer os principais pontos da cidade é embarcar no 'Petite Train de Biarritz', um conjunto de vagões puxado por um carrinho, que parte da plaza situada ao lado do cassino, e percorre por cerca de 30 minutos os principais pontos turísticos da cidade, bem como trechos do litoral.

Mesmo estando situada à beira mar, Biarritz tem seus lagos e parques, que merecem ser visitados, como o 'Lac Marion', lago situado a uma pequena caminhada do centro, com vinte hectares de áreas verdes, em torno de um suave lago. Ele é muito freqüentado pelos moradores da cidade pouco interessados nas ondas e nos turistas. 'Le jardin public' é outra área verde muito freqüentada pelos moradores, situado em frente ao imponente prédio da Gare du Midi (a antiga estação de trens da cidade). A própria estação é um ponto icônico da cidade, e nela são organizados diversos shows e eventos. Vale a pena conhecer.

Outros dois museus que também vale a pena conhecer são o Musée Historique de Biarritz (instalado numa igreja anglicana construída em 1876) e o Asiatica Musée d'Art Oriental (com um acervo que inclui peças da China, Nepal, India e Tibete). E não esqueça de percorrer também a Place Georges-Clemenceau, considerada o coração de Biarritz, de onde se irradiam suas principais avenidas.

Continuando a caminhada acompanhando o litoral sul (ou depois do passeio de trenzinho), chega-se frente à mansão mostrada na foto ao lado, conhecida como Villa Belza. A construção, erguida sobre rochedos à beira mar, tornou-se um dos principais ícones da cidade. Conta-se que a história deste castelinho teve início em 1832, seguindo projeto do arquiteto Alphonse Bertrand. Por ter sido erguido junto ao local conhecido como ‘Pont du Diable’ (ponte do diabo) e também devido ao nome exótico (Belza significa ‘negro’, no idioma basco), o solar adquiriu fama de mal assombrado e até hoje muitas lendas são contadas sobre o casarão. No passado serviu como cenário para diversas produções do cinema, sendo que durante os anos 20 costumava ser freqüentado por nomes famosos da aristocracia européia, durante as grandes festas organizadas por seus proprietários.

Villa Belza não está aberto à visitação pública, em compensação, você não pode deixar de ir até o Planète Musée du Chocolat, que, como o nome já diz, é um local dedicado à história do chocolate. Lá estão esculturas, posters, curiosidades, e principalmente, muitos e ótimos chocolates, em barras, bombons e outras formas originais.

 


Villa Belza

Entre as melhores 'chocolateries' da cidade, estão a Pariès (place Bellevue 1), Daranatz (Av Maréchal Foch 12) e Henriet (Place Clemenceau). Também existem quiosques pelas ruas, oferecendo chocolates artesanais, com formatos diversos.

Outra característica desta região é o jogo conhecido como 'Pelote Basque", que consiste basicamente numa disputa em que as equipes de jogadores, sempre vestidas de branco, arremessam, seja com a mão, raquete, bastão ou cesta, a bola contra uma parede. O jogo prossegue até que uma das equipes participantes cometa uma falta. Dentre as cerca de vinte variações que o jogo possui, uma delas permite que seja praticado simultaneamente por duas equipes, separadas por uma linha demarcada no chão. O jogo surgiu na idade média, no País Basco, e é muito praticado em todo sudoeste da França e norte da Espanha, sendo que diversas competições internacionais acontecem em Biarritz.

Já quem estiver visitando a cidade durante o mês de setembro vai poder curtir o festival 'Le Temps d'Aimer', durante o qual acontecem diversos eventos culturais, em parques,  auditórios, igrejas, todos relacionados às artes cênicas, dança, exposições e culinária.

 


Plage du Port Vieux e Villa Belza

Logo depois de passar por Villa Belza e continuando a caminhada vê-se lá embaixo uma praia de formato peculiar, formada por estreita faixa de areia e cercada por uma elegante arcada pintada de branco. Chama-se 'Plage du Port Vieux' (praia do porto velho), e, como fica abrigada dos ventos e protegida das ondas fortes, é freqüentada durante praticamente todo o ano.

Como estamos na França, seria impossível não lembarmos também dos queijos, e se você aprecia esta iguaria, o endereço certo para uma visita é ao 'Mille et Un Fromages' (rue Victor Hugo 8), especializado em queijos de todas as partes do país. Ah, sim, lá também são oferecidos vinhos, como acompanhamento.

Deixando aquela pequena praia para trás, e seguindo sempre pela Esplanada du Port Vieux percebe-se que a rua começa a descer novamente para o nível do mar, chegando então ao Boulevard du General de Gaulle, que segue paralelo a uma grande praia, muito freqüentada por surfistas. É uma das praias de aspecto mais dramático da região, cercada por paredões verticais, grande pedras escuras e que se estende por uma grande extensão. Ao longo desta avenida estão diversos restaurantes e bares, e o difícil, como sempre por aqui, é achar onde estacionar. É uma praia ampla, e de onde se consegue ver, mais adiante, o litoral espanhol e suas inúmeras falésias. Prosseguindo sempre em frente, chega-se à 'Plage de Marbella', também reduto de surfistas, e quase encostando na fronteira chega-se à 'Plage de la Milady', mais tranqüila e com amplos espaços, inclusive áreas de estacionamento e áreas de lazer para crianças.


La Côte des Basques / Litoral Basco

 


Place Sainte Eugenie

Depois de tanto mar e rochas, nada com um lugar quentinho para fazer uma boa refeição. Voltamos então à Place Sainte Eugenie, quando os restaurantes já estavam se preparando para receber os clientes para jantar. A gastronomia Basca oferece diversas opções saborosas aos visitantes, e se você quer mesmo conhecer o sabor local experimente o 'Jambon de Bayonne', (presunto posto para secar por 6 meses, conforme estabelecem as antigas receitas locais). Ou então peça o 'Axoa' (carne de veado preparada com pimentões e pimenta), ou ainda o famoso  "Cojones' (testículos de touro à moda). Já quem não se sentir atraído por carnes talvez fique mais à vontade pedindo um saboroso peixe à moda (Pibales, Alevins d'anguilles, Morue, Merlu, Encornets), e claro nunca esquecendo dos deliciosos queijos, como o tradicional  'Brebis Ardi Gasna', de preferência servido com 'confiture de cerises' (doce de cerejas), e também os ótimos 'Magrets', os 'Foies Gras', finalizando ainda com uma sobremesa, que pode ser o saboroso chocolate artesanal local, ou talvez um 'Gâteau Basque', o 'Tourons', ou ainda o delicado 'Muxus'.

Outra coisa que é quase sinônimo do País Basco e que você não pode deixar de levar são as 'Espadrilles', como são conhecidas as confortáveis sandálias de sola de corda e coberturas de tecido colorido, que estão em toda parte. As mais baratas podem ser encontradas a preço de banana em qualquer supermercado, enquanto as de grife costumam ser vendidas a preços até dez vezes mais altos nas lojas do centro.  Parecem uma sandália de ir a praia, e talvez sua origem seja essa mesmo, mas podem ser vistas no pé de muita gente por aqui, em todas as cores.

 

No dia seguinte sugerimos explorar a praia no sentido norte. Partindo do Cassino, siga pelo calçadão e em pouco tempo irá chegar ao 'Hôtel du Palais' (que lembra um palácio) e a 'Chapelle Impériale'.

Os dois prédios mais importantes da cidade são o Cassino e o 'Hôtel du Palais', este último construído por Napoleão III, em 1854, para servir de palácio privativo para sua querida, a imperatriz Eugénie. Desnecessário dizer que o prédio recebeu todos os luxos possíveis, na decoração, enxovais, louças, quadros etc. E sim, ainda é possível se hospedar no  Hôtel du Palais, preferencialmente num apartamento de frente para o mar, desde que, claro, suas finanças permitam. Nós somente passamos em frente à porta....

Depois, prosseguindo ao longo da 'Grande Plage' e da 'Plage du Miramar' a rua começa a subir, e atravessamos uma região com belas residências e prédios elegantes. Pouco depois as placas indicam um desvio à esquerda que nos conduz ao 'Phare de Biarritz', o farol da cidade construído entre 1830 e 1832, para proteger as embarcações das perigosas rochas do litoral basco. A visita turística deve ser agendada com antecedência, e a subida até o topo é feita através de uma escadaria de 248 degraus. Mas a vista lá de cima é incrível.


Phare de Biarritz

Mas mesmo que você não suba no farol podeir até o mirante, situado logo em frente ao estacionamento, de onde se tem uma vista magnífica da cidade e das grandes falésias. Procure incluir também em seu roteiro uma visita à 'Chapelle Impériale' (rue Pellot), único prédio da cidade remanescente do período de reinado da imperatriz Eugénie.

Quem estiver visitando a cidade durante o primeiro domingo do mês não deve perder a chance de assistir a apresentação dos dançarinos de 'Mutxiko', em frente ao prédio do Cassino. Esta dança, tradicional em todo País Basco, é praticada por grupos, sempre em círculos, e qualquer um pode aderir, desde que conheça os passos. Geralmente os músicos vão cantando os movimentos que devem ser seguidos pelos dançarinos, com palavras de ordem, e o ritmo, os passos e o sentido de rotação mudam a todo instante, sendo que os braços devem balançam o torso deve permanecer sempre ereto. Os passos mais freqüentes do Mutxico são Erdizka (meia volta), Jauzi (pulo), Dobla (volta completa), mas existem dezenas de variações e é essencial prestar atenção às ordens do cantador. De certa forma, a dança lembra as quadrilhas das festas juninas, mas aqui é dançada em círculos. Vídeo: Dançando o 'Mutxiko'


Falésias do litoral norte vistas do farol.

Não deixe de ver também a Igreja Ortodoxa Russa (Avenue de l'Impératrice 8), construída durante o século 1892, e que tinha entre suas funções receber os aristocratas russos que até 1917 vinham passar o verão em Biarritz. Merecem destaque seu famoso domo azul e os ícones especialmente trazidos de São Petersburgo. Aberta para visitas somente nos fins de semana à tarde.

Veja: Fotos em alta resolução de Biarritz

 

Para quem está em Paris, o trajeto até Biarritz é feito com rapidez e conforto, através do trem de alta velocidade TGV. A partir da cidade de Bordeaux, pode-se optar pelos serviços tanto do TGV (sistema de trens de alta velocidade) como do TER (sistema de trens regionais). A cidade é servida pelo aeroporto Biarritz-Anglet-Bayonne (BIQ), com vôos para diversas cidades da França, bem como Reino Unido, Espanha e Alemanha. Biarritz está próxima da auto-estrada N10, integrante do excelente sistema rodoviário francês e situa-se a 779 km de Paris e 193 km de Bordeaux.

Depois de percorrer o litoral, as praias e rochedos, não dá para ir embora sem antes dar uma conferida no comércio local e a melhor área para isto é a área central, onde se destacam a Place Georges Clemen (local da Gallerie Lafayette e outras lojas importantes), rue Gambeta, Avenue Vitor Hugo, Rue Mazagran, Avenue Edouard VII, Avenue du Maréchal Foch e Avenue de Verdun. Mas atenção, como todo lugar badalado, Biarritz é uma cidade cara, e os preços podem assustar, por isso é aconselhável pesquisar bem antes de se decidir por alguma coisa.


Place Georges Clemen / Área comercial

Os arredores de Biarritz também oferecem diversas atrações que merecem ser visitadas, começando pelas  cidades de Bayonne (ver fortaleza Vauban, o cais de la Nive, catedral gótica e Musée Basque) e Anglet (gruta Chambre d'Amour, lago Chiberta). Mas existem diversas outras pequenas localidades a visitar, praticamente lado a lado, e a melhor forma de curtir este lugar é subir litoral acima, de preferência seguindo estradas secundárias, e ir parando onde der vontade. A maior parte destas localidades praianas fica movimentada durante os meses de verão, mas fora disto costumam ser tranqüilas e pacatas e nos dão a sensação de ficarmos como 'donos da praia'. Por isso, mesmo que você não se anima a entrar na água, vai poder curtir muitas areias brancas, um mar azul e ficar à vontade.

Biarritz pode não ser uma 'Cidade Luz' como Paris, mas também é conhecida por sua iluminação noturna no trecho junto ao mar. Pierre Bideau, criador do projeto de iluminação da Torre Eiffel, foi o responsável por dar a Biarritz, a honrosa posição de ser a única cidade francesa com projeto de luz e som à beira mar, e durante a alta temporada este é um espetáculo que contribui para trazer mais visitantes à cidade.


Grande Plage à noite

Biarritz é uma cidade pequena, acolhedora e até mesmo encantadora, com ruas estreitas e sinuosas, passeios calçados com pedras, prédios de arquitetura graciosa, jardins, restaurantes com mesas nas calçadas, e é uma delícia explorar suas ruas internas. Dois dias na cidade serão suficientes para ver todas suas atrações, mesmo porque o melhor daqui é mesmo o mar e as rochas. Mesmo assim, não tenha muita pressa em partir, porque Biarritz é um bom ponto de hospedagem para conhecer todas as outras atrações das redondezas, da França, Espanha e País Basco. A cidade tem um lema que diz 'J'ai pour moi les vents, les astres et la mer' (guardo em mim os ventos, os astros e o mar), como quem diz que ela é o portal de muitas histórias e aventuras, em várias épocas. Deve ser verdade, mas o que ficou mesmo em nossa lembrança ao partir foi o a placa que vimos à beira da estrada, onde estava escrito no idioma basco: 'Eskerrik Asko Etortzegatik', ou seja, 'Obrigado Por Sua Visita'.  De nossa parte nós pensamos: De nada Biarritz, foi um prazer. Esteja certa que nunca vamos lhe esquecer. 

 

 

A música desta página é 'La Mer", de Charles Trenet.  Para interromper sua execução clique em X (parar).